domingo, 30 de março de 2008

O Homem na Lua






- A FORÇA DE ACREDITAR

"Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu já conhecia o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido.

Chegava o mês de Maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido.

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída:
quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer.

Só sei que tinha o poder de uma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível: era só querer."


Ruy Belo (1933 - 1978)

Ano de 1964. As pessoas fechadas, ou em casa, ou em escritórios, davam a impressão de cidades-fantasma, paradas, silenciosas, cujo silêncio era quebrado por momentos com o ligarde um aparelho televisivo a preto e branco, ou ainda a voz tornada roufenha dos locutoresna rádio. E foi então, com a assistência de milhões de pessoas em todo o Mundo, expectantes, confiantes, que o Homem deu o seu primeiro passo na superfície lunar. O Homem, aquele pequeno animal que, no geral, nem dois metros é capaz de alcançar, aquele animal sem quaisquer características físicas que o tornassem especial, sobrevivendo desde o início dos tempos apenas graças à sua inteligência, chegou ao satélite natural daTerra, ao longo dos tempos alvo de superstições e admiração, mais pela sua distância do que pela sua aparência de disco branco, umas vezes completamente cheio, outras a metade e, também às vezes, uma estreita faixa curva ou mesmo invisível para os nossos olhos.

"Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança."

Rómulo de Carvalho

"Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce" (Fernando Pessoa). A chegada à Lua, mais do que um avanço científico, foi a prova do conseguir o que se quer. E essa conquista ficou para perdurar quando o Homem deuxou marcada no solo lunar uma pegada sua, pegada essa que vai ficar por milhares de anos. E sob o céu eterno de estrelas e o nosso planeta azul ao fundo, o nosso Lar, o Homem assinalou o local com uma haste embandeirada, sinal da sua conquista.
O que antes parecia impossível apenas se reaçizou porque o ser humano assim o sonhou e nesse sonho colocou o seu esforço.
Sonho e devaneio não são sinónimos; se o devaneio é fruto da nossa mente inquieta, constantemente em movimento, meras ilusões, ideias soltas sem conexão... já sonhar é sinónimo de acreditar. E nós agimos em função do que acreditamos. Ninguém age contra aquilo que crê ser verdadeiro.

Foi-nos dado o poder de conseguir tudo: desejámos conhecer o Mundo e inventámos a caravela; desejámos voar e inventámos o avião; Alexandre Bell queria fazer a sua noiva ouvir (pois era surda) e, ao tentá-lo, inventou o telefone, que hoje possibilita a comunicação a tempo real entre pessoas separadas por longas distâncias; D. Afonso Henriques sonhou com a independência do Condado Portucalense e assim nasceu Portugal; o Homem desejou alcançar a Lua... e fê-lo.
Chegámos à Lua! Tal feito seria anormal há séculos atrás.

Toda a História tem origem em sonhos. Porque sonhar faz a diferença, por mais pequenos que os sonhos pareçam. Pois estes são como plantas: crescem e dão flores.
Foram os sonhos quederam origem à História. E tudo também porque o Homem, há milhares de anos atrás, sonhou conseguir comunicar com os outros; surgiu a palavra.

A chegada do Homem à Lua foi fruto dos seus sonhos. Agora pensamos pisar o solo de Marte. Será possível? De certeza que sim. Se houver quem lute por esse sonho, ainda neste século marcaremos o solo marciano com as nossas pegadas e exibiremos com uma haste embandeirada a nossa conquista para o Mundo que, mais uma vez, expctante, confiante, se vai encontrar nas suas casas frente ao televisor, agora a cores, assistindo a um novo momento histórico. Porque tudo nos é permitido: é só preciso um pouco de inteligência, preserverança e, mais importante, um sonho. Porque são eles que conduzem a nossa vida.

Sonhar não é partir para o irreal; porque nos sonhos tudo é possível, basta acreditar.
Também tenho sonhos; também tenho objectivos. E às vezes pergunto a mim mesma: vou conseguir entrar para a faculdade? Vou arranjar um emprego? Vou conseguir editar outro livro até ao fim do 11.º ano? Vou (quem sabe?) rever aquele colega que já não vejo há muito tempo? A resposta é: SIM. E isto porque:

EU QUERO.

CONFORME O TEU DEEJO, ASSIM SERÁ A TUA INTENÇÃO; CONFORME FOR A TUA INTENÇÃO, ASSIM SERÁ A TUA VONTADE; CONFORME FOR A TUA VONTADE, ASSIM SERÁ A TUA ACÇÃO; CONFORME FOR A TUA ACÇÃO, ASSIM SERÁ O TEU DESTINO...

1 comentário:

Eu disse...

Olá Gabriela :D
Sabes, acho que o Homem na Lua, foi o primeiro passo, para que muitos sonhos se concretizassem, sonhos esses vistos na sua maioria como intocáveis.
Tudo aquilo que temos, é origem dos nossos sonhos, por vezes sim são pesadelos, mas quando os idealizamos, não é com esse fim.

Gosto muito desse poema, e da canção que o segue.

Beijinhos

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