sexta-feira, 17 de abril de 2009


Saudades são verter pedaços de alma
Um rir mas chorar continuamente
Um morrer pela memória inutilmente
Sendo a ausência mais um mal que não se acalma.

Repousa em teu sepulcro sempre calma
Que velarei o teu corpo fielmente
Enquanto penso, triste, amargamente,
Na tua morte que matou a minha alma…

…E enquanto a minha alma desolada
Ainda não esqueceu, amargurada,
Aquela dor imensa de perder-te;

Só me resta aguardar a minha sorte
A de esperar o dia da minha morte
Para entrar no Paraíso, tornar a ver-te!...
(fotografia: Gabriela de Sousa
local: Mosteiro dos Jerónimos, sepulcro de Camões)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

The little dead bird


It was raining. In the car, the little girl was waiting to arrive home, at last. She had been so much time away from home! But now she was back. And the rain looked beautiful when thinking of her return...
In the horizon, the mountain seems closer and closer... And she laughed everytime she saw a bird singing in the trees...
After two hours inside the car, she saw a small village. The bells were ringing in the church. In front of the church there was a house were the oldest person in the village lived. On the other side, there was the graveyard.
The girl got off the car and walked through a stony way. Finally, she sees her home!
She runs. The clouds are grey and cold. And, in the front door, there was a dead bird.
The girl suddenly stopped; looked at the bird. It starts to rain.
Full of pity and sadness, the girl picks the bird in her hands and looking up the heaven. With her innocence, she thought "And now? Poor little bird! Now the bird can't fly to heaven!"
The girl makes a hole in the ground; inside, she puts the little bird. That place has the most beautiful tree of all village. Then, she finds a cold and heavy stone. Now, the little bird has a grave.
...Time goes by slowly and the girl stays a long time thinking, near the birds grave...

At night, while she was sleeping, she had a dream. In the dream, the flowers were more colourful, the tree was more beautiful than ever... And, happy, singing in her window, was the little dead bird...





(This text was in memory of a little bird I found death in front of my house and that I buried in my garden.)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

UM REQUIEM PELA HUMANIDADE...


AGNUS DEI


QUI TOLLIS PECCATTA MUNDI,



MISERERE NOBIS.



AGNUS DEI,





QUI TOLLIS PECCATTA MUNDI,




MISERERE NOBIS.








AGNUS DEI,








QUI TOLLIS PECCATTA MUNDI,







DONNA NOBIS PACEM.























CORDEIRO DE DEUS,






QUE TIRAIS O PECADO DO MUNDO,














TENDE PIEDADE DE NÓS.
















CORDEIRO DE DEUS,









QUE TIRAIS O PECADO DO MUNDO,





















TENDE PIEDADE DE NÓS.
















CORDEIRO DE DEUS,















QUE TIRAIS O PECADO DO MUNDO,




































































































































































































































































DAI-NOS A PAZ.


























quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O boneco de corda


Caía a neve lá fora. Nas ruas, ouviam-se os cânticos de famílias agasalhadas por causa do frio cortante. E as pessoas passavam e paravam para ouvir, esboçando um sorriso; outras, simplesmente, continuavam o seu caminho...
A rua está apinhada de táxis atarefados a transportar pessoas de um lado para o outro, às vezes até desconhecidos compartilham o mesmo automóvel, com o intento de chegar cedo para a Consoada. Duas crianças puxam as saias da mãe para que esta lhes compre um doce. Um senhor fuma cachimbo no parque A senhora solitária dá de comer aos pombos. Um jovem passa rápido de bicicleta com um ramo de flores. Aglomeram-se sons de buzinas para todos os gostos e feitios. E a árvore de Natal, no centro da praça, tão grande ou maior que qualquer outro edifício circundante, é a delícia dos mais pequenos, que a olham, extasiados. Senhores de barba branca e vestidos de vermelho distribuem prendas pequenas. O casal de namorados escorrega no gelo. E a neve caía silenciosa, morosa, conferindo um toque especial ao dia de Natal...



Na casa de tijolo e de quintal ornado com os mais diversos objectos alusivos à quadra, uma criança entra, espavorida, na sala. Estendeu uma caixa em cima da mesa e, após muito custo a tentar convencer os pais, a menina lá conseguiu abrir uma prenda mais cedo. E de lá tirou um boneco de corda, feito em madeira; vestia roupa preta e gravata. Numa mão segurava um violino e, na outra, o arco. Deu-lhe um bocado de corda... e o boneco começou a dançar em cima da mesa, enquanto tocava violino. Contente, a menina bate palmas. E, quando o boneco volta a ficar inerte, saiu da sala e foi ajudar os pais a decorar o quintal.

Não está ninguém em casa... ninguém a que vulgarmente se chame de ser animado... porque os inanimados vão fazendo a festa! Nesse momento, a vassoura encontrava-se, na cozinha, a queixar-se das bolachas ao forno, conversa coloquial, de passagem e de vassoura, que "ai, que as bolachas fazem muitas migalhas" e depois lá andava a moira, coitada, a limpar o chão que os outros pisam, que isto não podia ser e que devia tostá-las menos, que já nem a pá aguentava tanto trabalho. Nas traseiras do jardim, os abetos regalam-se com o frio, pois já era chegado o tempo e comentam o quanto sentem falta dos passarinhos, que se haviam ido embora no mês passado e que cedo voltariam e contariam as novidades. Na sala, o piano tem mais uma discussão acesa com o órgão do sótão, que responde, zangado, nos seus tons mais graves; enquanto isso, as três marionetas do sótão tapam os ouvidos sem paciência, pois há já muito tempo que o velho órgão só fazia uso da sua pedaleira para iniciar discussões... presumiam ser da idade...

No quarto, os bonecos de pano fazem rodas à volta do boneco de corda, pois este sempre era um amigo novo. Levam-no em braços e este, agora no pódio e centro das atenções, toca violino contente, dirigindo-se para a sala, enquanto um sem número de bonecos dançantes o segue quase em cortejo.

Ao pé da lareira está a árvore de Natal e, debaixo dela, o presépio. Nele, dois reis magos ajoelham-se perante o Menino-Deus, acabado de nascer, enquanto que outro de pele mais escura se mantém em pé. Aparece um pastor mais as suas ovelhas que olha, espantado, o acontecido. Ao lado, estão uma vaca e um burro normalmente tão menosprezados pelos humanos e, no entanto, ocupado uma função tão importante! Ao lado do Menino Jesus encontram-se Maria e José. E, no meio deles, um anjo de louça com vestes azuis, asas brancas e longos cabelos de ouro permanece como quem canta hinos de louvor.

Nesse momento, entra o cortejo carnavalesco pela sala. Todos os bonecos cantam e dançam. E o boneco de corda ia na frente, tocando violino.

Mas, com todo o ruído, o menino acorda e começa a chorar! Maria, então, pega-lhe ao colo e canta-lhe, baixinho. José manda calar o boneco de corda, que estava a ser inconveniente e que se mostra levemente incomodado quando vê o anjo de louça a olhar na sua direcção com um ar grave, severo e quase zangado. O cortejo, respeitosamente por quem acabara de nascer, dispersa-se. O menino volta a dormir. E o boneco de corda baixa a cabeça, embaraçado.

Nesse momento entra a menina. Pega nos bonecos de pano e leva-os para o quarto, de volta para a arca dos brinquedos. Quanto ao boneco de corda, sentou-o em cima do piano da sala.

Começa a nevar. Apesar disse, a mãe pega na menina pela mão. Veste-lhe um casaco, cachecol e luvas e, juntas, vão deslizar no gelo. E, guardando as risadas, os tombos e os sorrisos nalgo mais que a memória, está o pai a tirar fotografias.

Sentado no piano da sala, o boneco de corda olha a neve que cai de mansinho... queria estar lá fora também, a ver a árvore de Natal, andar de bicicleta e a comprar doces, pois se confessava muito guloso! E, apesar do frio, por dentro sentia um calorzinho no coração...

O boneco de corda olha para o presépio e, secretamente, desejava encontrar-se naquele momento a deslizar no gelo. E, depois de uma exibição surpreendente, daria a mão... ao anjo de louça, que permanecia com ar ausente ao pé da lareira e embrenhado nas suas canções, o que era uma ocupação muito digna, pensava o boneco de corda...

E assim chega a noite. A família prepara-se para sair e festejar a noite de Natal com os avós. A menina leva um bolo de chocolate, o preferido da avó. Comê-lo-iam no fim do jantar e depois todos se sentariam à lareira com o avô que, fumando no seu velho cachimbo, lhes contaria histórias de Natal da sua infância... sobretudo aquela do lobo, que a menina já conhecia mas não se cansava de ouvir...

Com as pessoas fora, a casa ganha nova vida. Bonecos, pá, luzes e até o próprio presépio dirigem-se para a cozinha para comer as bolachas preparadas pelo fornom para grande chatice da senhora dona vassoura! É certo que a nobreza obriga, mas até o próprio órgão do sótão pretende chegar à cozinha por entre resmungos, pois não consegue descer as escadas, enquanto dois soldadinhos de chumbo arranjam um engenho que o possa ajudar a descer. E o órgão lamuria-se que não havia de descer assim, afirmando que "burro velho não aprende idiomas" e que ele, que havia tocado nas igrejas e que tinha sido o instrumento de um grande kappelmeister, não haveria de descer tão baixo... e as marionetas dançam, perdidas de riso.

Mas o anjo de louça permaneceu mudo e quedo, sempre concentrado nas suas músicas. E o boneco de corda tampouco queria sair do seu lugar em cima do piano... para quê, se estava lá tão bem! Para ele bastava-lhe olhar o anjo de louça, absorto nos seus pensamentos. E como ficava lindo o anjo, concentrado nas suas músicas e ignorando o boneco de corda, que achava que o amava em segredo!

Naquele momento, o boneco de corda só desejava saber tocar no piano alguma música que o anjo soubesse cantar!... E que bonito dueto ficaria, o anjo com a sua voz e o boneco de corda no piano!...

O boneco de corda voltou a olhar a janela e a ver a neve a cair. Na sala, perdurava o silêncio. Só se ouvia o crepitar da lenha na lareira e, muito suave e ao de leve, como que no fundo de um túnel, a voz do anjo de louça.

Então o boneco de corda levantou-se. Desceu do seu lugar e ficou de pé em cima do teclado preto e branco. E depois foi colocando os pés em cima das teclas, primeiro uma a uma, depois duas a duas, pois que as suas mãos nunca dariam conta de um teclado tão grande. E, do melhor jeito que pôde, começou a improvisar...

Lá fora ruge o vento. A neve cai com mais força e a rua é ameaçadas por um temporal. No entanto, dentro da casa de tijolo, está um boneco de corda ao piano que já não improvisa: canta com os pés... e fá-lo de um modo tão natural que é como se já o tivesse feito há anos... de certo modo já o fazia, mas limitava-se aos pensamentos... E o boneco de corda sente-se como se estivesse a deslizar numa pista de gelo. E, como quem acaba de acordar de um sonho, sorri e tira uma grande e vistosa flor vermelha dos enfeites de Natal e estende-a ao anjo de louça...

A janela da sala abre-se com um estrondo. A neve entra pela sala com o seu vento forte. E, ao pé da lareira, o solitário anjo de louça deixa de cantar. E, para sua felicidade e pela primeira vez, o boneco de corda sentiu um estremecer no coraçõ quando o anjo de louça se voltou para trás e abriu um grande sorriso!...

Mas eis que acontece o impensável! Fugindo do temporal, um gato vadio entrou pela janela aberta e refugiou-se na sala. E, sem tomar consciência do que fazia e porque não pensava nas consequências, atirou-se ao anjo de louça que estava ao pé da lareira: com os dentes arrancou-lhe as asas brancas, com as unhas rasgou as suas vestes e, finalmente, arrancou os seus cabelos de ouro...

O boneco de corda desceu do piano o mais depressa que pôde mas, nesse momento, a família tinha acabado de entrar. Os vários objectos voltaram rapidamente aos seus lugares, As marionetas caíram no chão. A vassoura varreu os bocados de bolachas do forno, sem se queixar e com ar fúnebre. O órgão voltou para o seu lugar no sótão soltando um grave suspiro e as cordas do piano vibraram ao de leve, gemendo...

A mulher viu a janela escancarada e o gato na sala. Com a vassoura, que já estava farta deste género de trabalhos, correu-o de casa.

Mas pobre anjo de louça! Na sua luta pela vida, havia ficado sem asas, vestes, cabelo e desfeito em cacos! E, algures atrás de um pinheiro, havia um boneco de corda que chorava baixinho... e que são as lágrimas, senão a dor da alma que transborda

A mulher saiu da sala para reaparecer, pouco depois, com um saco; com a mão, pegou nos cacos que restavam do anjo de louça e os cabelos espalhados. E varreu-o para o saco.

Num ápice de desespero, o boneco de corda saiu detrás do pinheiro, atirou o violino para o chão e, num último esforço, atirou-se para dentro do saco que a mulher levava para a rua. Lá dentro, a cabeça separada do corpo do anjo de louça, sem cabelos e rachada ao meio, voltou-se para o boneco de corda e verteu lágrimas de vidro, que o boneco lhe enxugava com as mãos.

De repente ficou tudo escuro; a mulher metera o saco no contentor. Largou-o. Ao cair, ouviram-se estalar os cacos do anjo de louça e saltar as molas do boneco de corda...


...A mãe voltou para casa, para varrer a sala que tinha ficado coberta de neve. Gira o disco de vinil, soando uma ária de Bach. O pai assobia o baixo de uma tocatta. Eno final, já sentada no sofá, a mãe reparou numa flor vermelha grande e vistosa que se encontrava no chão. Colocou-a numa jarra. Na volta, sentiu estalar algo debaixo dos seus pés; era um pequeno violino, abandonado no chão. Pegou nele e atirou-o ao fogo. À frente da lareira acesa, ficara um cabelo de ouro...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Pequena história de Natal

O vento estava cortante lá fora. A neve caía, calma e silenciosamente, na rua que, se antes era em tons de cinzento, agora era tão ou mais branca que as nuvens. Os vidros das janelas tremem. E, sentada numa cadeira na sala de estar, a mãe acabava um lindo bordado que começara fazia pouco tempo.
Como o tempo tinha passado! E ainda se lembrava… Nunca tinha tido tempo para nada, ou, se calhar, nunca tinha dado valor ao tempo.
Concentrada, acaba de bordar um anjo no pano. Quer enchê-lo de anjinhos! Anjinhos como a sua Sofia…
E recordava as vezes em que a segunda filha mais nova, entrando a correr no quarto, lhe pedia ofegante: “Mãe, mãe, vem brincar comigo no parque!” “Agora não, querida, não posso. Mas prometo que amanhã vamos” E quantos amanhãs tinham passado! Naquele momento, se pudesse, iria mesmo brincar com ela no parque…
Como se sente cansada, pousa o pano bordado, guarda as linhas e sobe as escadas. Espreita para cada quarto dos outros filhos. Como se os visse a dormir, abeira-se perto de cada um deles de mansinho e dá-lhes um leve beijo na testa. Puxa-lhes os cobertores, para que estes não tenham frio. E, devagar, fecha-lhes as portas dos quartos. No fim, entra no quarto da Sofia.
Havia deixado tudo como sempre havia estado. Ainda lhe sugeriram que, se não tudo, se desfizesse de algumas coisas, mas resistiu energicamente.
Tocou cada brinquedo e olhou demoradamente cada fotografia. Ao passar, sem querer, foi contra a boneca preferida da filha. Apanhou-a e olhou demoradamente para ela. Era a boneca que lhe havia dado no seu último aniversário e que ela, nos seus últimos tempos de vida, carregava devotamente de um lado para o outro da casa, sem ligar ao esforço, porque, efectivamente, era uma boneca bem grande.
Naquele dia chegara a casa extraordinariamente tarde. Todos já dormiam. Então, com a boneca embrulhada numa caixa, entrara devagarinho no seu quarto. “Parabéns! Trouxe-te esta boneca” A filha, um pouco ensonada, perguntou: “Que horas são?” “Desculpa não ter estado aqui. Mas tive de trabalhar até mais tarde. Quanto mais trabalho arrumava, mais trabalho me surgia…” “Não faz mal” disse Sofia “ eu percebo que, se tivesses mesmo podido, tinhas estado comigo…” “Tomaste o medicamento para as dores de cabeça?” “Sim, mãe, tomei.” “Linda!” E, com um beijo, deitou-a de novo e saiu do quarto. É claro que ninguém imaginava que aquilo fosse mais que umas simples dores de cabeça…
E como sentia saudades dos inúmeros corações de cartão que diziam muitas vezes “Adoro-te, mamã!”…
Pousou a boneca em cima da cama e saiu do quarto. Deitou-se na sua cama e adormeceu…

Chegou o dia 23 de Dezembro. E a primeira coisa que fez foi ir ao cemitério. Pelo caminho, a sua filha mais nova, Rita, havia-a interpelado: “Mãe, posso ir contigo?” “Não, hoje não” Mais um hoje em que não ia. E só não dizia para deixar para amanhã porque tinha medo que este não existisse. Uma vez no cemitério ficou longamente a olhar para a lápide dura e fria que assinalava o local onde se encontrava uma menina pequena, alegre, com lindos olhos azuis e grandes cabelos loiros. Parecia muito triste para tal menina.
E começou a chorar. Agora, sim, tinha tempo. Mas isso não lhe servia de nada, agora…
À noite, contra o que era costume, não foi aos quartos dos outros filhos nem se deitou na sua cama. Antes estendeu-se de bruços na cama de Sofia e voltou a chorar. Que interesse tinha o Natal, se era a primeira vez que o ia passar sem ela?

Sofia entrou, como de costume, a correr no quarto. E pediu, cansada: “Mãe, mãe, vens brincar hoje comigo no parque?”
A mãe levantou-se de um salto. Não podia, aquilo era impossível! Então, Sofia sentou-se no colo dela e abraçou-a dizendo “Não chores, senão também fico triste!” E continuou: “Vens ao parque comigo?” Então a mãe levantou-se. Não, aquilo não era um sonho. E, também, que é que essas coisas importavam agora? Tinha a filha morta à sua frente, com os seus lindo olhos azuis e cabelos loiros a dizer-lhe para não chorar e ir brincar com ela no parque. Para quê pensar muito numa altura como aquelas? Para quê pensar no que é ou não impossível, no que é ou deixa de ser? Limpou as lágrimas à manga da camisola, vestiu um casaco, pegou na filha ao colo para que esta não apanhasse frio aos pés e foi para o parque.
Uma vez lá, Sofia pediu: “Mãe, empurra-me no baloiço!” A mãe ficou a pensar: nunca tinha andado nem empurrado um baloiço. “É fácil! Quando me vires a voltar para trás, a vir de novo contra ti, só tens de dar um empurrão para a frente”. A mãe sorriu. Mas se havia coisa que mais queria era que a filha viesse mesmo contra si; e se pudesse, nunca a deixaria ir para longe…
Quando deixaram de andar de baloiço foram ambas passear de mão dada, pelas ruas, a espreitar as montras escuras cheias de coisas de Natal das lojas fechadas. E, nos vidros embaciados e gelados pela neve, Sofia fazia inúmeros desenhos… Entre eles encontrava-se os típicos corações… Sempre andando, sem olhar a direcções, foram dar ao jardim da cidade, todo coberto de neve, como as outras ruas. Lá, as árvores erguiam para o céu os recortes delgados dos seus troncos e ramos. O lago estava tão gelado e límpido, que reflectia a luz da Lua. E nisto mãe e filha caminharam de mãos dadas pelo jardim, deixando dois pares de pegadas distintos na relva. E, ao de leve, começam a cair flocos de neve…
De súbito, a menina pára. E diz: “Tenho de ir. Estão a chamar-me.” “Quem te está a chamar?” “Os anjinhos… e a avó…” Nisto, a mãe voltou a chorar. Ajoelhou-se aos pés de Sofia e disse “Por favor, não vás! Não quero que te vás embora outra vez!” “Tenho de ir… será que não percebes? Já não pertenço mais aqui. Cada vez que choraste desde que me fui embora também me fizeste chorar a mim… por favor, deixa-me ir…” A mãe, contendo-se, limpou as lágrimas. A filha continuou “Eu estive sempre contigo. E não foi nas coisas que manténs guardadas no meu quarto, mas no teu coração… desfaz-te delas, não as quero lá… e dá a minha boneca à Rita, que sempre gostou muito dela… não quero que penses em mim como uma memória, antes que estou viva e que sou feliz onde quer que esteja… por que é que choras pela minha felicidade? E deixa de ir, pelo menos tão frequentemente, ao cemitério: achavas mesmo que eu me ia deixar por lá? Não é por aí que me vais encontrar…”
Fez-se um momento de silêncio que mais pareceu uma eternidade. E Sofia disse: “Por favor… deixa-me partir… deixa-me ser feliz…” E tornou, abraçando a mãe: “Gosto muito de ti!”

Acordou. Encontrava-se a dormir no sofá da sala. “Deve ter sido apenas um sonho…” pensou, triste. Nisto, meteu a mão no bolso. E, para sua surpresa, tirou de lá um pequeno coração de cartão com a mensagem “Adoro-te” escrita muitas vezes…

Na manhã seguinte, a mãe levou a pequena Rita consigo ao cemitério. Esta levava nos braços a boneca. “A Sofia ia querer que ficasses com ela…” havia-lhe dito a mãe. Depois da ida ao cemitério, ambas foram passear na rua. A mãe ainda olhou para as montras das lojas agora abertas e iluminadas, a ver se restara algum pequeno desenho… mas tal não acontecia.
Ambas se sentaram num dos bancos do jardim da cidade. Então a pequena Rita perguntou: “A Sofia vai voltar?” “Não, querida, nunca mais…” Rita ajeitou a boneca no seu colo. “Gostava de saber onde ela está… Tu sabes?” “Bem… creio que sim…” “Quando é que a vou voltar a ver?” “Algum dia…” “Onde?”
Nesse momento, a mãe havia acabado o último ponto do seu bordado. Estendeu-o sobre o seu colo e, apontado para as figuras presentes no seu bordado, disse: “Estás a ver? É ela; e está lá em cima, no céu… … com estes anjinhos… e a avó…”…

domingo, 21 de dezembro de 2008

"O espaço rural não pode ser entendido como um espaço marginal, mas como um espaço de oportunidades, que garanta a biodiversidade, que promova o mercado de trabalho, fixe a população, crie riqueza através de novas oportunidades de negócio e promova dinâmicas em torno de agentes de desenvolvimento local."

Formas de potencializar o sector agrícola são o emprego de mão-de-obra jovem e com iniciativa, procurar instruir os produtores agrícolas, a fim que possam, no futuro, trabalhar com técnicas agrícolas mais sofisticadas e o emparcelamento, ou seja, com vários campos pequenos fazer um maior, a fim que tenham dimensão suficientepara permitir a utilização de máquinas agrícolas de grande dimensão.
A fomentação de actividades económicas alternativas para as áreas rurais só pode trazer benefícios, tais como a dinamização das regiões, entrada de capital com o qual se poderão construir melhores infra-estruturas, valoriza o património e a tradição das regiões e permite-lhes fazer uso das suas potencialidades endógenas, além de que cria postos de trabalho.
Os objectos da nova PAC relativamente ao desenvolvimento das áreas rurais são desenvolver as regiões utilizando os produtos endógenos dessas mesmas regiões, atenuar o êxodo rural que coloca várias aldeias em risco de desaparecimento, introduzir novas técnicas agrícolas e valorizar, de certo modo, o papel dos produtores agrícolas.

domingo, 14 de dezembro de 2008

LUAR


Levanta os olhos e diz à noite:
Um dia, Paz, hei-de encontrar-te!...
Antes de noutra coisa pensares,
Repete a frase, até caíres cansado...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Liberdade


Tirana, de coração avarento,
que me manténs em prisão feia e triste
por que é que para ti alegria existe
em criar nas almas fracas sofrimento?

Tirana, que no momento primeiro
no meu cárcere, espreitando, sorriste
conserta esta vida que partiste,
deixa de me querer teu prisioneiro!

Abriste-me a cela com som ruidoso
no fim pude ver um Sol luminoso
e vi-me enfim livre da austera prisão!

Mas de que valeu, então, se em verdade
mesmo que o corpo cante liberdade
a ti estão presos minh'alma e coração?
Foi a 06 de Fevereiro do ano 1608 que nasceu um dos maiores vultos literários portugueses: Padre António Vieira. Apologista da tolerância e direitos dos índios sul-americanosm deu novo brilho ao uso da língua portuguesa, que usou eloquentemente em sua defesa, não se limitando ao púlpito pequeno da igreja, mas a um muito maior: a tribuna de Consílio.
A 13 de Junho de 1654, no Maranhão, Pe. António Vieira elaborou a sua (talvez) mais ousada argumentação: o "Sermão de Santo António aos Peixes". Muito sucintamente, nesse sermão António Vieira mantém a sua posição de defesa daqueles que são vistos inferiores como inferiores pela sociedade e critica os homens, concluindo que deles só deve haver distância.
Herói da língua e da humanidade, nunca vacilou nos seus intentos de luta por uma sociedade mais justa para os oprimidos; sofrendo privações, fugido em terras brasileiras, considerado inimigo do Estado e perseguido pela Inquisição, nunca António Vieira deixou que abafassem a sua voz a favor da tolerância e igualdade.
"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.", lá diz o Poeta. E grande foi a alma do Pe. António Vieira porque grandes foram os seus motivos; e ainda que, na sociedade contemporânea, esta luta pelos direitos dos orpimidos ainda seja actual, António Vieira fica para nós como um ícone da grandeza da vontade humana, de falar e agir; porque, segundo o próprio afirma, palavras leva-as o vento mas as obras, essas, perduram e ficam gravadas na pedra do coração!...

domingo, 30 de novembro de 2008

A estrela


Não nasceu para saber. Às vezes o conhecer magoa.

Uma noite o mar subiu e não poupou a pequena casinha costeira pegada a um farol azul. E levou consigo o pequeno bercinho de folhos.
O bercinho andou à deriva durante toda a noite. E, quem sabe, a criança dentro dele sonhava encontrar-se num pequeno barquinho balouçante nas ondas do mar.
Cresceu numa casa que pensava ser a sua com uma senhora que pensava ser sua mãe. Não foi à escola. Escusavam perguntar-lhe de línguas ou matemáticas ou o quer que fosse. Mas quando se tratava do mar parecia reunir em si todo o saber do mundo.
A sua curiosidade parecia voltar-se para o mar e o céu. Para ele, não havia a terra.
- O que são aqueles pontinhos brilhantes que aparecem quando o céu está escuro?
E a senhora respondia que eram estrelas.
- O que são estrelas?
E lá lhe era explicado com muita calma que as pessoas bondosas, ao fim de algum tempo e ao contrário das outras pessoas que morriam, iam ocupar um lugar no céu. E eram as estrelas.
Uma vez foi assistir à partida de quatro navios. Bem os esperou de volta, mas nunca mais voltaram. Indagou porquê e para onde é que o mar os tinha levado. E a senhora, pacientemente, respondeu:
- Foram para onde tinham de ir.
- E para onde tinham de ir?
- Lembras-te do passarinho que guardaste até aprender a voar? Ao fim de algum tempo, voltou para o ninho onde nasceu sem que antes o tivesse visto. A Natureza é assim.
- E o que tem o mar a ver com isso?
- O mar é uma estrada tipo a que passamos todos os dias para ir à vila trazer pão. A gente pode atravessá-lo. Mas é muito perigoso.
- É possível conseguir atravessá-lo?
- Depende de aonde queres chegar.
E a senhora tornou:
- O mar, muitas vezes, leva as pessoas de volta para casa….

Cresceu mais ainda. Já jovem gostava de olhar as estrelas.
- Já não tens idade para olhar as estrelas…
Uma noite, o mar rugiu mais do que nunca. O vento Sul agitava os vidros da janela com força. Partiu o trinco e a janela abriu. O rapaz levantou-se, vestiu um casaco e saiu. E, por entre ruídos do mar e do vento, ele viu-a.
Hipnotizante e tentadora, o céu ostentava a estrela mais brilhante que ele alguma vez tinha visto.
O rapaz, sempre com os olhos postos na estrela, entrou e voltou a deitar-se.
Mas não conseguia dormir. Volta e meia, todas as noites, encontrava-se à janela, a olhá-la…
E ela lá em cima, convidativa, sempre a chamá-lo…
Sempre a chamá-lo…
E ele ouvia-a dizer o seu nome…
Cada vez mais alto…
E a estrela continuava a chamar…
E ele era tentado pela estrela…
E ele pensava “Deve ter sido uma pessoa muito boa para brilhar tanto…”

Uma noite, não aguentou mais. Esperou que a senhora dormisse, levantou-se, vestiu-se e saiu para a praia. O vento rugia… O mar parecia querer rebentar…
Com habilidade, soltou as cordas de um dos barcos atracados. Abriu as velas, pôs-se ao leme e o barquinho zarpou…
Deixou de ver a costa… Mas continuava a ver a estrela… E seguiu na sua direcção…
De repente, o mar enfureceu-se… Pôde constatá-lo quando viu surgir, atrás de si, uma onda enorme, prestes a derrubar o barco… Com pressa, tentou desviar-se, mas em vão… A onda caiu pesadamente em cima dele e do barquinho…
Rapaz e barco voltaram a endireitar-se, quando vêem outra onda… desta vez, foram mais rápidos… mas o mar não se detinha…
As horas passavam devagar… E vêem-se trovões…
E o barquinho vai agitado sobre as águas do mar… No entanto, desafiando a tempestade, o rapaz mantém-se ao leme…
Estão a chegar ao centro da tempestade… ao longe, os relâmpagos mergulham com um estrondo no oceano e surgem ondas enormes… Mas nem por isso o barco pára…
De repente, acontece o impensável… Um relâmpago luminoso como a estrela que se seguia cai mesmo em cima do barco…

Aquando a alvorada, finalmente acordou… Estava no mar, o mastro caído, as velas queimadas… E, no céu, teimando não desaparecer e coberta pelo nevoeiro, estava a estrela… Que parecia mais próxima…
O rapaz levanta-se, arranja umas velas provisórias e agarra o leme com firmeza… E o barco recomeça a sua viagem…
O rapaz olha a estrela no céu… e a estrela está cada vez mais perto… E, quanto mais avançava, mais o nevoeiro desaparecia…
Por fim, avistou algo… Ao longe, erguia-se um farol azul… ao lado, uma pequena e velha casinha costeira…
E a estrela desapareceu…

UM

... um ano não é nada, pois vivo-o como se tivesse sido hoje...

(26-11-2007)
... o poema fez-se em Outubro de 2008 no ano passado...

http://caldeiradesousa.blogspot.com/2008/10/chave-de-ouro.html

sábado, 29 de novembro de 2008

Olímpiadas menores

Foi esta semana... e agora que tenho tempo passo a redigir...

De manhã levantou-se cedo, como há já muito o tem feito. A meio da manhã, após ingerir a sua quantidade diária de hidratos de carbono, equipou-se com o fato de treino, apertou os atacadores (mas não prendeu o cabelo, esse não, pois gostava dele solto nas costas). Entrou no ginásio, fez o aquecimento do costume e tomou o seu lugar na linha de partida.
Após soar o apito, os seus pés largaram o chão alternadamente. Sabia que não ia aguentar muito tempo... sabia que ao fim de dois minutos estaria completamente de rastos e que nem conseguiria dar mais um passo.
Marcou dois minutos no cronómetro, pois sabia ser esse o tempo máximo que sempre conseguira correr. E a corrida começou...
... Já só faltavam 30 segundos para acabarem os dois minutos e já sentia um peso no peito como se estivessem a dar-lhe marteladas nos pulmões... No entanto, assim que o tempo acabou, pensou para consigo mesma: "e se tentasse mais um minuto?"
Fez mais um esforço e, com efeito, já cambaleante, consegiu os três minutos. Já se sentia contente: conseguiu um minuto a mais! No entanto, não satisfeita, pensou de novo: "e se chegasse aos quatro?"
Deu lanço nos braços para não parar e, para seu espanto, conseguiu os quatro minutos! No entanto, achou que não aguentava mais, mal conseguia respirar, tinha dores nas pernas e doíam-lhe as costas devido à falta de oxigénio. "Acho que vou parar..." pensou...
Nesse momento, distraída como era, começou a pensar em coisas bonitas... pensou no colégio, em música, na academia, Bach, em violinos e pianos, em cravos e órgãos e nas pessoas que mais gostava. E foi precisamente graças a estas últimas que se esqueceu que estava a correr e que mal conseguia respirar e que tinha dores...
Parecia que só haviam passado segundos quando alguém a manda parar, pois distraída como era, continuava a correr. "Desculpe..." começou "não consegui fazer melhor..."
"Qual quê? Conseguiste correr dez minutos!" "Dez?"
Teria corrido dez? No ritmo em que estava ainda aguentava mais alguns...
"Parabéns! Conseguiste correr dez minutos! Fantástico!"
Nesse momento sentiu-se como se tivesse ganho um campeonato. Não que fosse algo de mais, aliás, é coisa banalíssima, os restantes 21 colegas, todos sempre haviam conseguido correr dez minutos... coisa simples, comum... como eu disse: banal...
Mas para ela não foi banal; e, apesar de ninguém ter reparado, feito uma festa, a ter levado em braços ou ter ganho uma medalha, naquele momento sentiu-se atleta de umas olimpíadas menores... e tinha sido a vencedora!

Sei que este texto parece um tanto banal (como os dez minutos!) mas para mim não o é. É que, desculpem os meus caros leitores, é complicado não se sentir feliz após quatro anos a correr um máximo de dois minutos por causa de problemas respiratórios e ter de ficar num banco a ver os outros correr os restantes oito; esta semana não fui para o banco E saltar de dois minutos para dez assim de repente é, segundo as pessoas que souberam, um "grande desenvolvimento". Para mim, é uma grande vitória.
Mas qual terá sido a diferença? Melhor forma física?
Não creio. Dou esta vitória às pessoas que mais gosto, pois foi o facto de eu pensar nelas por elas serem tão especiais para mim que me levou a esquecer as dificuldades...
A minha força física é a mesma; agora o que percebi foi que, mesmo em exercício físico, é essencial a força do coração... perdoem eu só ter chegado agora a esta conclusão tão óbvia, mas nesses assuntos sou como na educação física, um bocado lenta...!
É incrível o bem que fazemos às pessoas que gostam de nós!.... Mesmo quando estamos longe!...
Hoje dei em Composição que, no sistema tonal, uma só nota isolada não quer dizer nem significa nada... se juntarmos mais uma nota, já quer dizer alguma coisa... e se a relacionarmos com várias notas, fará todo o sentido! À primeira vista parece óbvio, mas apesar disso quem já pensou nisto?
Do mesmo modo, por muito grandes que sejamos, nunca seremos grandes sozinhos... pois os outros, embora mais pequenos que nós, unem-se, formando um corpo ainda maior que o meu...
Existir abrange mais que a matéria; existir depende dos outros... são os outros que nos dão a nossa existência.
Sendo assim, todos existimos e não existimos. A tia que morreu há 10 anos existe? Sim, existe. E noutro contexto? Talvez já não...

Estou a alongar-me demais. Resta-me dizer que às vezes somos capazes de coisas impensáveis para algumas pessoas só para alcançar os nossos objectivos... Como disse Fernando Pessoa:

"TUDO VALE A PENA QUANDO A ALMA NÃO É PEQUENA!"

domingo, 23 de novembro de 2008

A PAZ


A Paz... o que é?...
----
Pura beleza aos nossos olhos,
Amor incomparável, o orvalho que
Zela por nós todas as manhãs...

Escolas para idosos

Atente no seguinte texto (este sim, dá que falar):

"A Câmara de Chaves iniciará, em Janeiro de 2008, a implementação de dentros de convívio para idosos, nas 39 escolas do primeiro ciclo que foram encerradas no ano lectivo anterior, quase todas em aldeias rurais. O presidente da autarquia referiu que, no ano lectivo 2007-2008, apenas vão abrir 37 escolas do primeiro ciclo, fechando mais seis estabelecimentos de ensino. De acordo com o autarca, os edifícios escolares terão 'obrigatoriamente' uma finalidade de âmbito social, cultural ou recreativo, sendo a prioridade dada ao apoio aos idosos.
O concelho de Chaves tem 45 mil habitantes, dos quais 8526 têm mais de 65 anos, o que representa cerca de 25% do total da população."

Bem, após a leitura deste breve texto, podemos concluir duas coisas. A primeira é que a falta de escolas nos meior rurais leva ao baixo nível de instrução da população e à saída desta para as grandes cidades, onde este serviço é mais abundante. Mas também há que ver o lado positivo e é de salientar o apoio que se dá à população mais idosa, muitas vezes menosprezada; é uma medida que garante uma melhor qualidade de vida às populações rurais e constitui um estímulo essencial à sua permanência, sendo também uma forma de cativar novos habitantes.
Infelizmente, vai acabar por contribuir para o envelhecimento demográfico da região, pois os jovens saírão devido à falta de escolas (ainda por cima do 1.º ciclo! Estão há espera que a região tenha crianças nos tempos futuros?) e chamarão a si mais idosos devido aos centros de apoio...
Enfim: o ideal teria sido arranjar uma medida que desse conta dos dois problemas (educação das crianças e idosos), mas como o ser humano muitas vezes tem uma mente de soluções limitadas, há que sacrificar uns para dar lugar a outros e não saímos do mesmo sítio. É assim que combatem o êxodo rural?
Falando de meios rurais e como diz o povo:

NÃO SE PODE AGRADAR A GREGOS E TROIANOS.

sábado, 22 de novembro de 2008

GCS --> UM ANO DE VIDA!


(2007-2008)


Agricultura e preservação ambiental

Atente no seguinte texto:

"Na óptica da conservação da Natureza e da biodiversidade, a agricultura surge também como uma realidade incontornável, dado que grande parte dos ecossistemas e espécies a preservar depende quer da manutenção dos sistemas de agricultura com elevado valor natural quer do controlo e mitigação de relações de potencial conflituidade entre certas práticas agrícolas e os objectivos de conservação. A estas várias dimensões da relação entre a agricultura e a preservação do ambiente e recursos naturais acresce o seu contributo fundamental para a conservação e valorização paisagística dos espaços aberto e de outras amenidades rurais.
O reconhecimento desta complexa e estreita interligação agricultura-ambiente conduziu ao progressivo desenvolvimento de políticas públicas, nomeadamente a nível comunitário, noâmbito da PAC, que associam os apoios à agricultura ao seu papel na preservação ambiental.
Assim, tem vindo a reforçar-se, nomeadamente em Portugal, a consciência de que a resposta coerente aos desafios do ordenamento dos espaços rurais, da sustentabilidade ambiental e da viabilidade económica da agricultura deve envolver uma abordagem territorial que valorize a multifuncionalidade da agricultura e a diversificação das opções dos territórios."

Como sugestão de actividades que exemplifiquem, segundo o texto, "a multifuncionalidade da agricultura e a diversificação das opções dos territórios" há a valorização das energias renováveis (que podem ser produzidas no espaço rural ou a partir de produtos de origem florestal) e a preocupação com a preservação dos recursos naturais e do ambiente.

Os espaços rurais como espaços de lazer e turismo

Atente no seguinte texto:

"Neste novo quadro das relações rurais-urbanas, a procura turística dos espaços rurais e dos meios naturais reafirma-se e diversifica-se. Entretanto, constata-se a afirmação de uma oferta comercial de alojamento, restauração e actividades de lazer e animação e algo profissionalizada, capaz de satisfazer estas procuras.
O turismo em espaço rural figura cada vez mais nas estratégias de desenvolvimento regional e local, muitas vezes sem prévia avaliação objectiva e comparativa dos recursos e dos impactes económicos, sociais e ambientais.
Estratégias de desenvolvimento com bases em actividades de turismo em espaço rural são também frequentes entre os empresários locais, tanto agricultores como outros. Ganham mais dinheiro em contextos de maior desemprego feminino, até porque contam com a hospitalidade das donas de casa e as suas capacidades de prestação diária de diferentes serviços de qualidade."

Possíveis efeitos da falta de avaliação prévia das estratégias de desenvolvimento que envolvem o turismo são o alargamento excessivo das capacidades de alojamento, o subaproveitamento do solo agrícola, a especulação fundiária e imobiliária, a falta de formação profissional, a perda do elemento humano e das relações personalizadas e a massificação das formas de turismo mais acessíveis, a degradação dos recursos naturais e a perturbação dos ecossistemas e a desfiguração da paisagem.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Comércio e serviços: da Baixa Lisboeta às novas centralidades

Atente-se no seguinte texto:

"O centro terciário de comércio ocupa há muito a Baixa. Começu nos anos 60 a migrar para norte pela Avenida da Liberdade e pela Almirante Reis, para, depois de meados dos anos 70, para se fixar na zona das Avenidas Novas, que sofreram uma profunda alteração morfo-funcional com a substituição dos imóveis habitacionais por edifícios de escritórios. A zona do Marquês de Pombal - Avenidas Novas é hoje um verdadeiro bairro de negócios central onde se encontra a maior concentração de serviços às empresas. Entretanto, a Baixa perdeu funções e atractividade deixando de ser o centro da região urbana, para ser apenas um centro. Parte da Administração Pública do País e do município mantém-se nas praças do Comércio - Município, mas a sede do governo e muitos ministérios há anos que se dispersam pela cidade. De modo semelhante, o município de Lisboa tem a maior parte dos serviços fora da Baixa, em larga medida concentrados no Campo Grande.
O centro financeiro que se posicionava imediatamente a norte do centro administrativo está a (re)constituir-se, bem mais a norte no rebordo do centro terciário das avenidas em edifícios modernos, não obstante a permanência de sedes e edifícios de representação dos bancos mais antigos na parte meridional da Baixa."

As novas tendências de localização terciária nos centros urbanos são a disposição dos vários ofícios segundo a sua importância, como sendo as funções menos nobres a ocupar os lugares mais altos e ruas secundárias e as funções de maior prestígio ocuparem o piso térreo e as ruas principais. O comércio grossista ocupa as margens do centro e o comércio retalhista as ruas mais centrais. Muitos serviços têm agora tendência a sair da cidade, procurando áreas de boa acessibilidade, localizando-se nas periferias.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Friends of the Earth III


"The Earth is not dying - it's being killed. And the people who are killing it have names and addresses." by Utah Philips

I think my home is comfy. All homes must be comfy. But I live on Earth. The Earth is my home. Is it comfy? Organised? Or even clean?
Let's take the Earth as a living organism, that feels pain and that has a soul. Facing that, who are we?
We are the killers of the Earth. Every toxic gases we release and other wastes we release are killing the Earth.
The Earth is alive and we don't understand that. But the Earth is not an only organism, it is the result of a group of living organisms.
The Earth is for all and we must like and preserve what belongs to us. And I think there's a bit far the day in which we will understand that killing the Earth is killing ourselves...

Friends of the Earth II

Recently I've read a text writen by an organisation called "Friends of the Earth"; it describes the bad effects of the global warming and gives some examples of this major problem, like rising of temperatures and sea levels, hotter summers, wetter winters, floods and heat waves...
But with this "climatic crisis", we aren't the true victims; I think they are the poorer countries.
The developing world will be more affected by global warming because they don't have the same conditions that western countries do, they subsist with a market based on agricultural resources which is dependent on the weather so, as the weather is changing, some agricultural products won't be produced and that origins starvation; the western countries transform the sources that come from developing countries; without resources, there's no exports; and without exports, there's no money and they get poorer. And all that (drought and a market based on agricultural resources) leads to infectious diseases that can be spreadly easiy.

I think the aim of the organisation when writing the article was to encourage people to face the problem without so much "glee and reaching for the tanning lotion", because our behaviour is similar to "well, the temperature is getting hotter, there's a global warming, let's see the bright side, I don't like rain, now I can go to the beach more often!" Well, most of us also don't like rain, but I think that, more than hot days, we like to live in a healthy planet. Who doesn't like to live on the planet? We have to choose between hotter days to go to the beach (the problem is that without a planet there's no beach) or have a life with quality and enjoy what the Earth always wanted to offer us; but we don't embrace that opportunitiy.
When writing the text, the organisation wanted to show the other side of the coin, how deadly global warming can be and if the developing countries are suffering a great part of the problem (for now), soon it will come to us; and when it occurs, there's no machine, car or station that can save us.

113