domingo, 7 de setembro de 2008

Um Perseu romanceado


Ecoava no bosque uma ave cantante
Quando fugia da cruel Medusa
Que não aceitava a minha recusa
Em me tornar seu eterno amante!

Reflectia o Sol o escudo brilhante
numa linha luminosa e difusa
E como por dentro o mal não se acusa
O silvo da espada ecoa vibrante.


(Corta-se a cabeça; a besta está morta
Olhava, absorto, a lâmina que corta
E um rosto por maldade deformado)


Que me fizeste, que mal, que magia
Se só de te olhar, oh Górgone fria
Meu coração em pedra foi tornado?

sábado, 6 de setembro de 2008

La maison des mots


Dans cette maison où tout est possible
les mots sont aussi livres,
et grandent, et vivent et meurent
comme le Soleil et faisent-il, jaune,
se torner un peu de rouge...


Dans cette maison où tout est possible
j'habite aussi livre comme les mots
je vole avec mes paroles
achetêr un peu de papier
pour écrire avec les mots que meurent...


(La tristesse habite le plus profonde de mon coeur
Je ferme mes yeux et vois tout noire...)


Dans cette maison où tout est possible
mon coeur ne me laisse pas avoir de rêves...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008


Senhor Jesus
Tu disseste de Ti mesmo
que eras a Luz
que vinha a este Mundo
temos no meio de nós
uma luz
para nós
ela é a Tua imagem
ela é o Teu símbolo.
Ensina-nos a sermos abertos
ensina-nos a Tua doutrina
que posta em prática
arde
e ilumina tudo à sua volta
para que possamos viver
segundo teus ensinamentos...
E uma luz acesa
rodeada de escuridão
ainda mais nos fala de Ti.
Nós somos o suporte de Deus.
porque Deus prolonga-se,
actua no Mundo através de nós.
Ele precisa de nós.
E nós precisamos do seu óleo
para alimentar a nossa luz.
Amen
(Aviso os leitores deste blogue que estarei ausente até ao dia 7 de Setembro. Uma continuação de boas férias!)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Acróstico


Reíte, Lídia, pero no creas
O cuanto mal me haces,
Buscas lo que no te puedo dar, Lídia,
Equivocas el própio destino
Resumes la existencia
Teneblosa de la plata de ayer
Oro sucio a mis sentidos...

Cuánta ignoráncia, Lídia!
Ayer has pensado que buscaba por ti
Llevaste contigo mis sueños, aseos
Dejaste sólo mi risa satírica;
Encuanto crees que me haces mal, Lídia,
Recuerda que en nada te doy valor
Oigo la calma música de las nubes y
No puedo acordarme de ti...

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A boneca


Dois tiros...


A cidade está calma, silenciosa;
no ar, o silêncio mata
e por entre ares tóxicos e venenos
soa a sinfonia de dois tiros...


Um pássaro morto jaz no chão
Jaz sem asas e sem bico:
levaram-no os insectos
que sobrevivem na terra estéril de cinza...


Recordações, tantas vidas, tantos sonhos,
agora os incêndios iluminam a cidade
partes de corpos (do que parece) enfeitam as janelas
o rio que corre na rua é vermelho...


Dois tiros...
Uma criança...


A criança olha, em pé, consigo a boneca
e o seu coração está vazio, ferido
e o chão queimado é humedecido
por inocência vermelha que, com Sol, não seca...


Menina, criança, não chores!
A boneca, rota, deu-lha sua mãe
Mas a mãe já não está, não lhe pega ao colo
Qual deles, qual dos vultos do chão seria a sua mãe?

És um cadáver, cidade, estás morta
e contigo morrem os sonhos, esperanças,
queimem-se os vossos telhados de dor e angústia
derrubem-se as paredes sádicas e hipócritas!


Dois tiros...
Uma criança...


Cai a boneca...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Carta possível

Hoje de manhã procurei. Espreitei em todas as ruas sem resultado; vasculhei todos os edifícios e nada encontrei; entrei em todas as salas, mas o resultado foi o mesmo.
Acabou a manhã… Mas onde encontrar?
De tarde interroguei as pessoas. Mas ninguém me soube dar informações exactas…
Dantes, era fácil: bastava sentar-me nas escadas, olhar pelas janelas ou acomodar-me em baixo delas… e pensar que, nessa altura, já achava difícil…
Por fim acabou a tarde.
À noite, olhei para as estrelas. Afinal, nunca se sabe!... Mas as estrelas são tantas e estão tão longe! Com apenas dois olhos não consegui procurar em todas as estrelas.
Acordei, em suma, profundamente triste! Em passo lento, subi as escadas de madeira escura.
Entrei na sala às escuras e escancarei a janela, para poder olhar melhor as nuvens do céu e ouvir a chuva a cair no jardim. Sentida comigo mesma, plena de remorso, arrastei o banco para trás e sentei-me. Coloquei as mãos no teclado e os meus dedos deslizaram nas teclas brancas e pretas. Como ruído de fundo, o granizo misturado com a chuva que caía na rua.
Toquei repetidamente a mesma música, até que, finalmente, compreendi. E, na minha boca, senti um sorriso.
Afinal, não era preciso procurar-te tão longe; posso encontrar-te toda a vez que os meus dedos deslizarem nas teclas de um piano.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

No llores


No llores...

Piensa en el cielo
el cielo azul,
el cielo blanco,
el cielo negro de tempestad
que, a pesar de las nubes
no deja de ser cielo de Sol y estrellas...

No llores más...

Piensa en la tierra
la tierra negra,
la tierra roja,
la tierra blanca de arena
donde el mar llega impetuoso y violento
para volver atrás manso como cordero...

No llores más, que me haces doler...

Piensa en el agua
el agua blanca
el agua azul,
el agua verde del mar
donde todo viene y todo parte
donde podrá partir tu tristeza y venir tu alegría...

No llores más, que me haces doler el corazón...

...Pero como puede doler algo que no existe?...

(Lejos van los tiempos
en que los animales hablaban
en que el cielo fue rojo
en que no hube estrellas...
Lejos van los tiempos
en que hube una razón para existir....)

Lejos van los tiempos
en que hube una razón para llorar...

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