domingo, 10 de agosto de 2008

Comparação


És como uma névoa de cinza
que, cada vez que me aproximo,
mais me mata e sufoca
sem que, no entanto,
eu creia essa morte penosa...

sábado, 9 de agosto de 2008


Só tu é que nos dás a vida
Só tu é que nos dás amor
Vem ajudar os pobres e oprimidos
Vem ajudar, meu Senhor.


Tu és fonte de vida
Não deixes as pessoas andar
Por aí a guerrear
E depois, por favor, vai dar paz,
Vai dar paz a cada lar.


Nós te louvamos, Senhor
Tu és a luz que ilumina a Terra inteira.


Tu tens um grande coração
Por isso te dedico esta oração.
E há outra coisa a dizer:Deus é nosso Pai
E Tu és nosso irmão.


Amen

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Ecos do silêncio


"A palavra é de prata, mas o silêncio é de oiro..."


...


Talvez o silêncio seja uma frase completa
Talvez as palavras sejam expressão sem sentido


...


Talvez o silêncio seja a comunicação perfeita
Talvez as palavras sejam um defeito de linguagem


...


Talvez o silêncio seja a mais forte das palavras
Talvez as palavras sejam ditas em silêncio


...


Talvez o silêncio seja ouvido com o coração
Talvez as palavras sejam lidas com os ouvidos


...


Talvez estas palavras devessem ter sido escritas em silêncio


...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Lembranças...


Por cada mal da vida, uma ventura
Que o Destino a cada um tem reservada
Mas a primeira a mim está destinada
Mais suas penas de tristeza e de tortura!...


Se para mim restam penas, amargura,
Vejo cada outra sorte ser tomada
Não por mim, de existência magoada,
Mas pelo alheio, que sempre bem figura.


Tenho saudades do tempo em que sorria
Daquele em que tenho a lembrança
Das venturas, boa sorte e alegria:


Ah, quem me dera voltar a esse dia
Essa vida de bem querer e Esperança
Dos dias de ventura em que te via!...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A OCIDENTE versus TODOS A OCIDENTE

Agosto, tempo de férias! Portugal, destino de inúmeros turistas do norte da Europa que procuram o nosso clima agradável face às condições climatéricas dos outros países! Algarve, parte do território nacional que cada vez mais se torna uma região estrangeira!

Vou começar pelo princípio.

Há 4 anos estive, pelo Natal, na GALIZA, Santiago de Compostela (é que não era, nem Castela, nem Catalunha, era GALIZA, onde a língua é um espanhol aportuguesado, a meu ver) e, como me deu a fome, entrei num café tipicamente do século XIX (de certeza que a idade esteve incluída no preço, se é que me faço entender, era caríssimo, soube-o no fim). Atendeu-me um empregado sorridente que perguntou o que eu queria, ao que eu respondi:
- Uma torrada.
O empregado afastou-se. E, juntamente com ele, o tempo também. Passou meia-hora, quarenta e cinco minutos, uma hora... e nada da torrada! Por isso fui ao balcão investigar. E comecei:
- Eu tinha pedido uma torrada há uma hora atrás e ainda não fui servida.
- Ah! Es que no lo hemos entendido y, por eso, nada fue hecho.
- Uma torrada?
- No comprendo.

(mas a minha frase de reclamação compreenderam bem, lá isso é verdade)

- Torrada? Pão torrado?

O empregado abanou a cabeça. E eu não sabia como havia de dizer. Por isso, atirei sinónimos:

- Pão torrado? Pão quente? Pão queimado? Não, isso também não. Pão tostado?

- Ah! Una tostada! Sí, algo más?

...

Bem, creio que já todos conhecem o típico modelo espanhol, grande orgulho pelo seu idioma e as constantes traduções de filmes pois não aceitam legendas. Tudo em espanhol, por favor, parecem dizer (no mesmo dia, no hotel em que estive, liguei a televisão e deram vários filmes ingleses... dobrados em espanhol). No entanto, há neles um sentimento que falta aos portugueses: o nacionalismo.

...

Situação totalmente diferente encontrei em Portugal. Estive no Algarve e, também devido a fome, entrei num restaurante. Peguei no menu...
Não sei se os outros restaurantes eram iguais, mas aquele menu estava em inglês! Nem português tinha! Devo dizer que perdi o apetite...
Esqueci de dizer que o Algarve é o destino preferido dos turistas (pessoalmente acho que há destinos mais interessantes e com mais cultura) nomeadamente... dos ingleses.
Pois é! O português sempre foi assim: não sei se devido a complexos de inferioridade por habitar um país pequeno e ainda por cima na cauda da Europa, o que o torna um pouco "aparte" (pelo menos ele assim o pensa) mas sei que se deixa arrastar que nem um cordeirinho pelo estrangeiro (quantos portugueses ouvimos todos os dias a vangloriar o estilo de vida estrangeiro!).
Mas sempre fomos assim. Quer dizer, os portugueses são aquelas pessoas que tentam mostrar ter muito quando não têm nada. Citarei o século XIX mais uma vez.
O século XIX em Portugal foi péssimo; fomos devastados pelos franceses, imensas pessoas partiram para outros países e vivia-se um período de miséria em que as pessoas morriam de fome na rua. No entanto, tanto pobres como ricos gastavam balúrdios de dinheiro. Em quê? Sei que parece brincadeira mas é sério, com História não se brinca, mas mais do que comprar comida com o pouco que tinha, o português gastava fortunas em... ...
...
...
... em óculos...
...
Isto é verídico. E porquê?
Porque, a seu ver, os óculos davam "classe" a qualquer pessoa e faziam-na parecer ter e ser mais do que aquilo que tinha e era. Até as pessoas com boa visão não dispensavam uma colecção de óculos para usar em locais públicos, mas sabem como é, noblesse oblige, ainda que seja não ver um palmo à frente do nariz. Aliás, isso teve influências no estrangeiro: em França, às pessoas que gostavam de óculos e tinham vários diferentes dizia-se: "Pareces um português!"... E não era uma apreciação boa, na certa...
Depois vem o acordo ortográfico. Objectivo (dizem): diminuir os erros de ortografia, tirando letras que não se lêem e adaptando a escrita à pronúncia. Como metem piada! Não é por tirarem os "h" e alguns "p" e "c" que adaptam a língua à pronúncia; daqi a pouqu tomam uma medida máix radical i mudam pur qompletu ax palavrax, mudam-nax pur inteiru, assim sim, vamux adapetar a língua à prunúncia, na exqola, agora é qe ux prufeçorex nãu vãu máix ter trabalhu a qurrijir ux errux urtugráficux. Vêem? Isto é que é a adaptação da língua à pronúncia! Mas isto eles não adaptam!
Um dia acordo, visto um fato e entorno café por cima, o que é um fato aterrador para um fato. E isto do acordo ortográfico é um fato irritante. E não só: um dia acordo e o acordo lá levou os acentos consigo.

A língua deve ser independente dos falantes e, como os seres vivos, muda com o TEMPO. A evolução da língua deve ser algo natural, até porque com o acordo perdemos grande parte da nossa herança latina e árabe.
Agora querem mudar o nome Algarve (a Ocidente) para Allgarve (todos a Ocidente). Pronúncia inglesa incluída.

Penso que devíamos urgentemente rever as nossas prioridades, com assuntos a sério ninguém se preocupa e aprender que o patriotismo não é só para o Futebol. E, se gostamos tanto do que é estrangeiro, imitá-los um bocadinho nesse aspecto, aliás, em Inglaterra há imensas cidades mas nunca vi nenhuma que se chamasse Londres...

...London, talvez...

sábado, 2 de agosto de 2008

Saudades por uma dama morta


Verdes campos, longos rios, prados floridos
Que em uma tarde amena o Sol doirou
Bem como as lembranças que o longo rio levou
Mais os sonhos que reguei em tempos idos…


Por entre cantares, pássaros adormecidos
O luzir do Sol meu coração curou
Da ausência e da saudade por quem chorou
Em dias remotos, em lugares perdidos…


E, apesar de luzir no céu o Sol brilhante
Sinto assomar em mim a cada instante
Um coração ferido e sempre triste!...


Tivesse eu podido travar tal tormento!
Que o mesmo Sol me tivesse dado alento
No dia em que de meus olhos te partiste!...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Que acusa a crueldade de uma dama


No meio da noite triste e escura
com o disco lunar redondo, brilhante,
esperançoso, quão dúbio amante,
o terno pássaro, em vão, procura...

As horas passam; a noite continua
perdem-se as penas, os olhos, a vida
a ave jazeu, morta, perdida,
no meio da noite triste e escura...

De cálidas mãos para vil criatura
de urtigas feita, que corta e tortura
de lágrimas claras forma mil defeitos:

eis o rosto daquela que augura
que em pobres rimas mata, enclausura,
meus versos perdidos, meus sonhos desfeitos.

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