segunda-feira, 17 de março de 2008

"Si todo vuelve a comezar"


Si todo vuelve a comenzar

(José Agustín Goytisolo)


Quiero decirlo ahora

porque so no después las cosas se complican.

Soy peor todavía de lo que muchos creen.

Me gusta justamente el plato que otro come

aburro unas tras otras mis camisas

me encantan los entierros y odio los recitales

duermo como una bestia

deseo que los muebles estén más de mil años

en el mismo lugar

y aunque a escondidas uso tu cepillo de dientes

no quiero que te peines con mi peine.

(...)


Cada vez más pienso como la vida es corta! Tengo casí 16 años! Y no estoy preparada para eso... sólo quería volver atras y empezar todo otra vez, porque no he vivido mucho mi infancia... Tengo sólo 15 años e ya lloro por mi infancia perdida...

Como todas las madres, mi madre no puede ver un chico que conozca, porque empieza dando opiniones tales como: "ese chicoes muy simpáticos, pero es perezoso y un día no va a trabajar, porque bla bla bla..." y no puedo tener amigos, con "-0", porque solo ve bodas en toda parte "cuidado, hija, él no es hombre para el futuro, vas a ser infeliz se te casas con él!" Y tengo sólo 15 aºnos... quiero ver cuando tenga 24...

Yo sé que lla sólo quiere lo mejor para mí, pero yo le digo mismo "no voy a casarme" al que ella contesta "estás diciendo que no me vas a dar nietos?" o "prefiero que seas religiosa a ser soltera, que al menos te casas con Diós!".

Pero la verdad es que la boda no hace parte de mi lista de planes para el futuro. Todo eso es muy bonito, tener compañia para toda la vida (seguro que es toda?) y, lo más importante para mi madre, tener dos sueldos en casa. Pero para qué todo eso? Hoy son poco comunes las personas que se unen por toda la vida y, además (cogendo el ejemplo del poema de J. A. Goytisolo), ya nadie tiene respecto por los otros o piensa en la felicidad de sus compañeros: exigen mucho de ellos para su proprio provecho y cai nada dan... No soportamos la manera de ser del otro y les exigamos que tengan una imágen de ellos idealizada por nosotros... todo gira a nuestra vuelta en una boda y el otro se queda con nosotros porque lo que importa es que esa persona nos guste y no que le guste la manera como la tratamos. Queremos siempre alguién similar a nosotros porque, de ese modo, estará siempre de acuedro con nosotros y cada vez que hablemos nuestro compañero va a decir "Amen, es como dices".

Puedo ser muy pesimista, pero creo que la boda es un acto egoísta de tener algo que nos haga sentir especiales, porque si nos gustamos mismo, no necesitamos que los otros esten siempre diciendo que somos fantásticos, guapos o inteligentes. Es como si necesitasemos tener un admirador personal que nos haga sentir superiores a aquella insignificancia que pensamos tener, muchas veces, con razón.

domingo, 16 de março de 2008

Ilusão


Prostrado em largas horas, descontente
Em tempos, contratempos e outros tais
Mantive-me fiel àquela gente
Que se sabe feita de areias e metais…

Naquela de que existe certamente
(incessante pela busca de sinais
E esperando-os em vão ardentemente)
uma vida de flores e de corais

Mantive-me iludido, pensei ser certo;
Firo-me de morte, então liberto
O meu pesado e frio coração!

Olho langue o céu, é tudo incerto
Jorra o sangue negro do peito aberto
O resto é discórdia… e solidão…

domingo, 2 de março de 2008

O saber não ocupa lugar

Recentemente vi uma fotografia que, devido ao facto de não a encontrar, apresso-me a descrevê-la aqui. Nela, um menino negro esquelético, sem roupa, gatinhava na rua, com uma das mão a agarrar o tornozê-lo de um trauseunte que passava sem sequer olhar para baixo.
E, face a uma fotografia dessas, a gente pergunta onde está a Justiça neste mundo (se quiser ver a minha opinião sobre a Justiça actual, leia o texto de Janeiro "A Justiça -valor universal e intemporal")!

Mas, tal como tudo no mundo (e essa lei, sim, é universal), teve de haver motivos para a existência de alguns casos extremos de pobreza. Creio que estamos todos cheios de ouvir reportagens e palestras sobre estes assuntos, mas ouvir mais uma vez e saber melhor nunca fez mal a ninguém. Por isso, se já acharem que sabem tudo a respeito deste assunto, este texto não é para vós.

Chamamos de países em desenvolvimento ao conjunto de países que se encontram num estado de pobreza. Normalmente, o sector predominante é a agricultura. Isto porque nunca se deve começar a abordar um assunto sem antes se saber bem o que se vai falar.

Hoje vemos inúmeras organizações que pretendem angariar fundos para esses países. Mas eu não concordo, tal como não concordo muito quando se dá por exemplo, dinheiro a um pobre. Isto porque, há muito tempo, li uma frase que dizia assim "Se vires um pobre não lhe dês um peixe; ensina-o a pescar."E isto é verdade. Em vez de darmos dinheiro e fundos, devíamos proporcionar-lhes postos de trabalho, precedidos por alguma educação.

Mas esses países não têm culpa das condições que possuem. E quais as suas origens?

Antes de mais, devo salientar que a desigualdade é um factor que leva à pobreza. Em grande parte dos países em desenvolvimento, a mulher tem apenas funções reprodutivas e domésticas, não dando o seu contributo no desenvolvimento do país. Mas é algo que pode ser corrigido com a educação das novas gerações, visto essa condição da mulher passar de geração em geração, é uma condição tradicionalista.

Aqui nós, os países desenvolvidos, parecemos muito bonzinhos com todos os nosses sistemas de caridade. Mas os culpados da pobreza nos países do Sul somos nós.

Acontece que grande parte desses países foram, em tempos, colónias dos países do Norte durante séculos. Ao começarem a exigir a sua independência e, sendo-lhes dada recentemente, abandonámo-los à sua sorte, tanto que, depois de séculos de dependência, não conseguem desenvolverem-se sozinhos. E no fundo, ficam dependentes na mesma, pelo menos economicamente.

Os países desenvolvidos aproveitam-se da pobreza dos países em desenvolvimento. Estes últimos são os responsáveis pelas matérias-primas que são transformadas nos países desenvolvidos. Então, supostamente, deviam ser ricos...

Mas não são. E isto porque os países desenvolvidos sabem que os países em desenvolvimento darão aos suas matérias-primas a qualquer preço, mesmo não sendo o justo. E vendem-nas a preços irrisórios exigidos pelos países desenvolvidos, que chantageiam amealando não as comprar. Não sei se sabiam esta, mas é verdade, somos uns sacanas!

Outra condicionante da pobreza é a elevada taxa de natalidade. Por exemplo, em muitas tribos africanas, os filhos são vistos como fonte de riqueza, pelo que cada casal tem muitos filhos. Para mais, também há tribos que praticam a poligamia. Devido à elevada taxa de natalidade, a população dos países em desenvolvimento aumenta demasiado para aquilo que eles podem proporcionar, originando fomes. Os motivos que levam às elevadas taxas de natalidade nos países em desenvolvimento são:



  • a elevada taxa de analfabetismo - não tendo, por isso, muitos conhecimentos ao nível do funcionamento do corpo humano e métodos contraceptivos;

  • os filhos são vistos como uma fonte de riqueza;

  • poligamia;

  • funções domésticas da mulher;

  • casamentos precoces - porque, efectivamente, a esperança média de vida é baixa.

Os desastres naturais também dão o seu contributo à pobreza, pois os países em desenvolvimento não têm muitos rendimentos e, em caso de algum desastre, não têm muitos meios para minorar os seus efeitos.


E ainda esqueci de mencionar que, devido à elevada taxa de analfabetismo e não conhecimento de métodos contraceptivos, é fácil a propagação de doenças como a SIDA, esta um dos maiores flagelos a nível de doenças a nível mundial e que poderia ser facilmente evitado. Também devido ao analfabetismo, muitas culturas tentam sobrepôr-se a outras que, no seu ver, estão erradas (vejam-se os casos de terrorismo) e morre sempre muita gente devido à intolerância. Mas a uma intolerância originária de falta de cultura.


Tenho consciencia de que este texto nada vai poder fazer para minorar a pobreza no mundo. Mas, pelo menos, faço o que od países desenvolviedos não fazem, que é consciencializar os países em desenvolvimento para os seus próprios problemas.


Do mesmo modo, também eu vos consciencializo. Sim, é verdade, poderemos pensar "mas eu sou apenas uma gota de água no oceano!". Mas isso depende. Se todos os leitores deste texto se juntassem, já seríamos várias gotas.


Pretendi, com este texto, tentar dar uma luz sobre a realidade dos nossos vizinhos de baixo, os países de Sul, mais conhecidos como países em desenvolvimento (com excepção da Oceânia). Tenho consciência que, na certa, todos vocês, caros leitores, já sabiam do que foi referido acima. Ao invés de me chatear por estar a falar do que já não é novidade, agrada-me o facto de falar de algo que, felizmente, já sabeis. Fico contente e fico ainda mais por aqueles que, mesmo já sabendo, se deram ao trabalho de saber outra vez. Afinal, sejam duas ou três vezes, a certeza que temos é que "o saber não ocupa lugar".

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Prometes, cumpres!

Acerca da imagem, só tenho a dizer uma coisa: sem comentários.
Isto porque cada um de nós, à medida que vai entrando aos poucos para o mercado de trabalho, também se vai sujeitando ao tratamento da imagem, nela em sentido figurado. E eu é que não quero acabar assim!

Pode parecer devaneio mas, um dia, quero ter um emprego em que não precise de patrões, nem ninguém que me possa arranjar problemas ou chatices. E quero não precisar das caridades alheias, antes que me enrolem com palavras mansas e promessas vãs.

Hoje falamos viver numa sociedade democrática e igual em oportunidades para todos. Mas tal não acontece. Alem do mais, sempre que tomamos as decisões ditas democráticas, foi sempre por influência de outrém, na maior parte das vezes, através da influência verbal. Deixamo-nos levar mais facilmente por aquiloque os outros pensam e nas histórias bonitas em que tudo é fácil sem pensarmos, por exemplo, nos custos para consegui-lo. E, muitas vezes, um desses custos é a sujeição.

Dizem-nos palavras ricas em conteúdo, mas pobres em verdade. E, quando damos por isso, já não é possível anular o que se fez. A dependência torna-se, de certo modo, enorme (basta ver o exemplo das greves, que já não são de jeito, apenas por 24 horas e ainda acham que 24 horas sem trabalhar vão fazer a diferença. É claro que os chefes já nem ligam às greves, porque já sabem quanto duram e quão fracas são as pessoas para terem coragem de abdicar de mais uns dias de salário para lutarem pelos seus interesses. As pessoas são capazes de ameaçar fazer greve, mas nunca a fazem, porque senão arriscam-se a não ganhar o salário de miséria de que reclamam constantemente).

Qui tacet, consentire videntur e, ao não lutarmos pelos nossos direitos, estamos a dar mostras da nossa fraqueza psicológica e de sujeição. E nunca conseguiremos o que achamos verdadeiramente justo para nós.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Breve verdade

Nem sempre o que é em quantidade é o melhor em qualidade. Além do mais, as aparências iludem e assemelhando-se a outro ditado, "nem tudo o que reluz é ouro.". E, quanto mais alto se sobe, maior é a queda.
Muitas vezes esperamos muito da vida, grandes coisas, grandes projectos. E, com tudo isso, esperamos alcançar a felicidade, sem notar que esta está tantas vezes tão perto, nas pequenas coisas que vemos todos os dias e que chamamos de banais, procurando-a sempre no complexo... podíamos ser felizes, mas o nosso conceito de felicidade é que esta é praticamente inalcançável...

Já alguma vez, quando acordam deprimidos, experimentaram olhar o Sol nascer? Não seriam necessárias prendas para conseguirem fazer-nos felizes, pelo menos julgamo-nos.

Procuramos a felicidade nas coisas passageiras da vida... talvez a devêssemos procurar em coisas mais duradoiras, porque só assim poderemos ser verdadeiramente felizes... e nos gestos simples do dia-a-dia.

Um filósofo afirmou "Não existe felicidade; o que existe são momentos felizes." Até poderia concordar, não fosse um ponto: se, de facto só existem momentos felizes, há que procurar tirar partido de todos ao máximo... e encontraremos a felicidade...

Mas também há que ter momentos de tristeza; porque é nesses momentos que as outras pessoas podem experimentar a felicidade de nos fazer felizes...

Procura a felicidade no Sol que nasce todas as manhãs, porque viveste mais um dia para o presenciar.

Procura a felicidade quando ouves o irritante barulho do teu despertador, porque isso significa que ouves bem.

Procura a felicidade quando te irritam e não respondes, porque isso significa que tens educação.

Procura a felicidade quando te sentires a sufocar numa fila de gente, porque isso significa que não estás sozinho.

Procura a felicidade cada vez que sofreres por alguém, porque isso significa que sabes amar.

Procura a felicidade cada vez que sentes dor... PORQUE ISSO SIGNIFICA QUE ESTÁS VIVO!

Porque talvez no que chamamos de tristezas e aborrecimentos possamos encontrar um motivo para nos sentirmos bem connosco e com os outros.

Porque talvez sejas feliz quando o teu melhor amigo te diz com sinceridade "gosto de ti".

Porque talvez a felicidade esteja à distância de um sorriso aberto todas as manhãs...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Estamos numa sociedade...

Estamos numa sociedade hipócrita...

Estamos numa sociedade em que o bem de devia ser de todos apenas se reserva a alguns...

Estamos numa sociedade em que o sentido de igualdade, ainda que continuamente badalado, não é praticado na sua verdadeira essência...

Estamos numa sociedade de mais palavras e menos acção...

Estamos numa sociedade liderada pelo comodismo...

Estamos numa sociedade em que os fins justificam os meios...

Estamos numa sociedade em que condenamos nos outros os nossos próprios erros...

Estamos numa sociedade em que todos dizem que fazem e, no final, só participou um punhado de pessoas...

Estamos numa sociedade em que é preciso haver leis para que saibamos o que é certo ou errado...

Estamos numa sociedade em que Bem e Mal são sinónimos...

Estamos numa sociedade que delega os seus erros para os outros...

Estamos numa sociedade sem tempo para si mesma...

Estamos numa sociedade de tão rápida evolução, que é complicado saber o que já é antigo ou recente...

Estamos numa sociedade que preza o proveito próprio...

Estamos numa sociedade iletrada, em que ir à escola é, na boca de muitos, perda de tempo...

Estamos numa sociedade inculta, em que as pessoas com conhecimentos são vistas como aborrecidas ou desinteressantes...

Estamos numa sociedade em que dizer "Amo-te" se tornou algo banal...

Estamos numa sociedade que não distingue "conhecido" de "amigo"...

Estamos numa sociedade em que um grande amor dura dois meses...


Estamos numa sociedade em constante movimento e isso vê-se nos hábitos das pessoas: o corre-corre de todos os dias, o nunca parar em casa, o nunca se lembrar de telefonar a um amigo no seu aniversário, o nunca parar para dizer "Bom dia" àqueles que se cruzam connosco, o nunca parar de querer ter e ter o que quer e em que um mês vale por um ano... Estamos numa sociedade em que 1 ano é muito tempo, isto porque esta sociedade não pára...

Estamos numa sociedade que nem tem tempo de se conhecer e em que as pessoas não se chegam a conhecer, afirmando conhecerem-se bem...

Estamos numa sociedade sem personalidade própria...


... Apenas fica o tempo (ou pelo menos a falta dele)...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

"Espelho, espelho meu: haverá alguém mais belo do que eu?"

Estava eu a passar uma hora que tinha sem nada para fazer a visitar lojas quando o que eu queria mesmo era encontrar plantas (talvez levasse uma, adoro plantas), quando me apontam um ramo de flores artificiais.
Eram narcisos… E eu gosto muito de narcisos…
Lembro-me de lhes tocar, invulgarmente altos e com cores que, para os narcisos verdadeiros, não são naturais… Aquele ramo era, sem dúvida, uma paleta de cores em narcisos artificiais…

Lembro-me de ver as pessoas a passar e a tocar com as mãos os narcisos entre frases de exclamação sobre, no dizer deles, quão bonitos eram e como gostavam de os ter, mas o problema era o preço, bastante alto.
Ainda olhei demoradamente os narcisos artificiais, à procura de um sinal que, efectivamente, mostrasse como eram bonitos. Mas a beleza está nos olhos de quem a vê. E, não obstante eu não a ter encontrado nesses narcisos, a maioria das pessoas achava-os bonitos.
Também, aquando a minha saída, passei por uma loja que ostentava, nas traseiras, montes de vasos com plantas, ou secas, ou ainda a murchar e por um preço irrisório. Ninguém lhes pegava ou voltava sequer a cabeça. Voltei a pensar no quanto as pessoas achavam bonitas as flores artificiais.
Então, arranjei duas flores, uma artificial e colorida e uma seca. Passei a perguntar às pessoas qual achavam mais bonita. E, para grande desilusão minha, praticamente todas me respondiam: a artificial, porque é colorida e não murcha.

Concluí que, portanto, poucas pessoas sabem apreciar a verdadeira beleza; porque praticamente todas gostam do falso e artificial.

Posso dizer que, de ambas as flores, a flor murcha é mais bonita. Não pelas cores ou por não murchar porque, efectivamente, já o está. Mas por um simples facto: é verdadeira. E, se é verdadeira, existe e chama-se flor. Porque todas as verdadeiras flores murcham. A artificial não é uma flor porque, efectivamente, não murcha. Além do mais, nem tem cheiro. As flores, mesmo murchas, podem continuar a agradar-nos com o seu doce perfume.
Para mim, a verdadeira beleza está na fealdade. Sei que parece uma contradição, mas aquilo a que chamamos perfeição tende a ser aborrecido. Além do mais, não existem coisas perfeitas porque, para algo ser perfeito, tinha de agradar a todos e não existe nada que agrade a todos uniformemente. Porque a noção de perfeição varia de pessoa para pessoa.

Uma flor artificial pode não murchar e enfeitar uma jarra. Mas uma flor verdadeira, mesmo murcha, ainda que não seja atraente, perfuma o ar e torna-o agradável.
Muitas vezes vejo gente que oferece rosas sem espinhos. Para as pessoas, o mau das rosas são mesmo os espinhos, se bem que eu acho que é isso que as torna bonitas. São os espinhos que as tornam diferentes das outras flores. Por exemplo, na aldeia dos meus bisavós a minha mãe tem um pomar cheio de árvores de fruto. Nomeadamente laranjeiras. No entanto, houve uma laranjeira que, mal foi plantada, morreu. Mas, antes de morrer, tinha dado um outro rebento no mesmo local. Esse rebento tornou-se uma laranjeira. No entanto, eu nunca tinha visto, essa laranjeira tem espinhos no tronco. Eu, pessoalmente, nunca tinha visto uma laranjeira com espinhos no tronco. E é a minha laranjeira preferida, por causa dos espinhos. Porque, de entre todas as laranjeiras existentes no pomar, aquela é única.
Tenho vários vasos com plantas na varanda. Quando fui de férias de Verão, não tive quem mos regasse e elas ficaram expostas ao calor abrasador. Hoje, estão completamente secas, algumas sem folhas e escuras. A minha mãe teima em dizer que estão mortas. Mas eu continuo a regá-las como rego as poucas que continuaram verdes, porque são tão “plantas”, por assim dizer, como as outras e, além do mais, são essas mesmas plantas secas e murchas que precisam da maior parte da atenção e não as plantas verdes e com flores; precisam que as tratemos com mais cuidado e que invistamos mais nelas, porque estão secas e precisam ser tratadas. Qual não é o espanto da minha mãe quando, uma manhã, uma daquelas plantas que, durante um ano, foi regada completamente murcha, ostentava duas folhas pequenas mas muito verdes no meio das outras escuras!...

Este exemplo das flores pode aplicar-se para tudo na vida e o mesmo se passa com os seres humanos.

As pessoas são plantas, umas verdes, porque foram tratadas com carinho e atenção, outras murchas porque, ou não tiveram tanta protecção como as verdes, ou estiveram expostas a momentos da vida que, pela sua dureza, as fizeram secar. Há que prestar mais atenção às pessoas murchas porque, com alguma persistência, podem dar folhas novas.

Também tal como as plantas, que podem ser de espécies diferentes, também as pessoas são diferentes; cada pessoa tem uma maneira muito especial de ser tratada. Há que descobri-la, a fim de não a deixarmos murchar.
Ainda de encontro ao início do assunto, creio que são aqueles pormenores a que normalmente chamamos imperfeições que tornam bonita uma pessoa, porque a beleza, efectivamente, pode ser maçadora, demasiado monótona, demasiado equilibrada, demasiado limpa, demasiado… perfeita. E o que é em demasia, cansa.

Vou dar como exemplo as marcas do rosto. Se, para a maioria, as rugas de expressão deveriam ser erradicadas, para mim, são elas que tornam os rostos facilmente identificáveis. Cada pessoa tem linhas muito próprias quando sorri, chora ou franze o sobrolho. Elas, também, tornam o rosto dinâmico. Um rosto sem linhas de expressão ou qualquer dobra seria monótono, demasiado liso, sem qualquer mostra de sentimento. Por isso digo que demasiada perfeição pode ser equivalente a fealdade.


Mas que é que isso interessa?


Também no mercado da vida muita gente escolhe pessoas artificiais muito coloridas, que, por assim dizer, “não murcham”, ou pelo menos parece que não.
Mas, quando é que uma pessoa é uma flor bonita?
A educação é o melhor caule que uma pessoa pode ter para alcançar outros valores.
A alegria é a melhor folha para um bom caule.
A bondade torna as folhas mais verdes.
A humildade dá recortes exuberantes às folhas.
A simplicidade dá as cores vivas.
A delicadeza é mesmo a característica principal de uma flor.
A gentileza é o melhor perfume que uma flor pode dar.
Porque as pessoas, tal como as flores, valem pelo que emanam e pelo que são e não pelo que aparentam ser ou idealizamos que sejam. Porque devemos avaliar as pessoas pelo que elas dão e não pelo que gostávamos que dessem ou tivessem dado.


Nunca escondas dos outros a tua verdadeira essência, por mais disparatada que a julgues.


PORQUE TU VALES PELO QUE ÉS E NÃO POR AQUILO QUE APARENTAS SER!

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