
segunda-feira, 17 de março de 2008
"Si todo vuelve a comezar"

domingo, 16 de março de 2008
Ilusão

Em tempos, contratempos e outros tais
Mantive-me fiel àquela gente
Que se sabe feita de areias e metais…
Naquela de que existe certamente
(incessante pela busca de sinais
E esperando-os em vão ardentemente)
Mantive-me iludido, pensei ser certo;
Firo-me de morte, então liberto
O meu pesado e frio coração!
Olho langue o céu, é tudo incerto
Jorra o sangue negro do peito aberto
O resto é discórdia… e solidão…
domingo, 2 de março de 2008
O saber não ocupa lugar
Recentemente vi uma fotografia que, devido ao facto de não a encontrar, apresso-me a descrevê-la aqui. Nela, um menino negro esquelético, sem roupa, gatinhava na rua, com uma das mão a agarrar o tornozê-lo de um trauseunte que passava sem sequer olhar para baixo.- a elevada taxa de analfabetismo - não tendo, por isso, muitos conhecimentos ao nível do funcionamento do corpo humano e métodos contraceptivos;
- os filhos são vistos como uma fonte de riqueza;
- poligamia;
- funções domésticas da mulher;
- casamentos precoces - porque, efectivamente, a esperança média de vida é baixa.
Os desastres naturais também dão o seu contributo à pobreza, pois os países em desenvolvimento não têm muitos rendimentos e, em caso de algum desastre, não têm muitos meios para minorar os seus efeitos.
E ainda esqueci de mencionar que, devido à elevada taxa de analfabetismo e não conhecimento de métodos contraceptivos, é fácil a propagação de doenças como a SIDA, esta um dos maiores flagelos a nível de doenças a nível mundial e que poderia ser facilmente evitado. Também devido ao analfabetismo, muitas culturas tentam sobrepôr-se a outras que, no seu ver, estão erradas (vejam-se os casos de terrorismo) e morre sempre muita gente devido à intolerância. Mas a uma intolerância originária de falta de cultura.
Tenho consciencia de que este texto nada vai poder fazer para minorar a pobreza no mundo. Mas, pelo menos, faço o que od países desenvolviedos não fazem, que é consciencializar os países em desenvolvimento para os seus próprios problemas.
Do mesmo modo, também eu vos consciencializo. Sim, é verdade, poderemos pensar "mas eu sou apenas uma gota de água no oceano!". Mas isso depende. Se todos os leitores deste texto se juntassem, já seríamos várias gotas.
Pretendi, com este texto, tentar dar uma luz sobre a realidade dos nossos vizinhos de baixo, os países de Sul, mais conhecidos como países em desenvolvimento (com excepção da Oceânia). Tenho consciência que, na certa, todos vocês, caros leitores, já sabiam do que foi referido acima. Ao invés de me chatear por estar a falar do que já não é novidade, agrada-me o facto de falar de algo que, felizmente, já sabeis. Fico contente e fico ainda mais por aqueles que, mesmo já sabendo, se deram ao trabalho de saber outra vez. Afinal, sejam duas ou três vezes, a certeza que temos é que "o saber não ocupa lugar".
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Prometes, cumpres!
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Breve verdade
Nem sempre o que é em quantidade é o melhor em qualidade. Além do mais, as aparências iludem e assemelhando-se a outro ditado, "nem tudo o que reluz é ouro.". E, quanto mais alto se sobe, maior é a queda.Muitas vezes esperamos muito da vida, grandes coisas, grandes projectos. E, com tudo isso, esperamos alcançar a felicidade, sem notar que esta está tantas vezes tão perto, nas pequenas coisas que vemos todos os dias e que chamamos de banais, procurando-a sempre no complexo... podíamos ser felizes, mas o nosso conceito de felicidade é que esta é praticamente inalcançável...
Já alguma vez, quando acordam deprimidos, experimentaram olhar o Sol nascer? Não seriam necessárias prendas para conseguirem fazer-nos felizes, pelo menos julgamo-nos.
Procuramos a felicidade nas coisas passageiras da vida... talvez a devêssemos procurar em coisas mais duradoiras, porque só assim poderemos ser verdadeiramente felizes... e nos gestos simples do dia-a-dia.
Um filósofo afirmou "Não existe felicidade; o que existe são momentos felizes." Até poderia concordar, não fosse um ponto: se, de facto só existem momentos felizes, há que procurar tirar partido de todos ao máximo... e encontraremos a felicidade...
Mas também há que ter momentos de tristeza; porque é nesses momentos que as outras pessoas podem experimentar a felicidade de nos fazer felizes...
Procura a felicidade no Sol que nasce todas as manhãs, porque viveste mais um dia para o presenciar.
Procura a felicidade quando ouves o irritante barulho do teu despertador, porque isso significa que ouves bem.
Procura a felicidade quando te irritam e não respondes, porque isso significa que tens educação.
Procura a felicidade quando te sentires a sufocar numa fila de gente, porque isso significa que não estás sozinho.
Procura a felicidade cada vez que sofreres por alguém, porque isso significa que sabes amar.
Procura a felicidade cada vez que sentes dor... PORQUE ISSO SIGNIFICA QUE ESTÁS VIVO!
Porque talvez no que chamamos de tristezas e aborrecimentos possamos encontrar um motivo para nos sentirmos bem connosco e com os outros.
Porque talvez sejas feliz quando o teu melhor amigo te diz com sinceridade "gosto de ti".
Porque talvez a felicidade esteja à distância de um sorriso aberto todas as manhãs...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Estamos numa sociedade...
domingo, 24 de fevereiro de 2008
"Espelho, espelho meu: haverá alguém mais belo do que eu?"
Estava eu a passar uma hora que tinha sem nada para fazer a visitar lojas quando o que eu queria mesmo era encontrar plantas (talvez levasse uma, adoro plantas), quando me apontam um ramo de flores artificiais.Lembro-me de lhes tocar, invulgarmente altos e com cores que, para os narcisos verdadeiros, não são naturais… Aquele ramo era, sem dúvida, uma paleta de cores em narcisos artificiais…
Ainda olhei demoradamente os narcisos artificiais, à procura de um sinal que, efectivamente, mostrasse como eram bonitos. Mas a beleza está nos olhos de quem a vê. E, não obstante eu não a ter encontrado nesses narcisos, a maioria das pessoas achava-os bonitos.
Também, aquando a minha saída, passei por uma loja que ostentava, nas traseiras, montes de vasos com plantas, ou secas, ou ainda a murchar e por um preço irrisório. Ninguém lhes pegava ou voltava sequer a cabeça. Voltei a pensar no quanto as pessoas achavam bonitas as flores artificiais.
Então, arranjei duas flores, uma artificial e colorida e uma seca. Passei a perguntar às pessoas qual achavam mais bonita. E, para grande desilusão minha, praticamente todas me respondiam: a artificial, porque é colorida e não murcha.
Para mim, a verdadeira beleza está na fealdade. Sei que parece uma contradição, mas aquilo a que chamamos perfeição tende a ser aborrecido. Além do mais, não existem coisas perfeitas porque, para algo ser perfeito, tinha de agradar a todos e não existe nada que agrade a todos uniformemente. Porque a noção de perfeição varia de pessoa para pessoa.
Muitas vezes vejo gente que oferece rosas sem espinhos. Para as pessoas, o mau das rosas são mesmo os espinhos, se bem que eu acho que é isso que as torna bonitas. São os espinhos que as tornam diferentes das outras flores. Por exemplo, na aldeia dos meus bisavós a minha mãe tem um pomar cheio de árvores de fruto. Nomeadamente laranjeiras. No entanto, houve uma laranjeira que, mal foi plantada, morreu. Mas, antes de morrer, tinha dado um outro rebento no mesmo local. Esse rebento tornou-se uma laranjeira. No entanto, eu nunca tinha visto, essa laranjeira tem espinhos no tronco. Eu, pessoalmente, nunca tinha visto uma laranjeira com espinhos no tronco. E é a minha laranjeira preferida, por causa dos espinhos. Porque, de entre todas as laranjeiras existentes no pomar, aquela é única.
Tenho vários vasos com plantas na varanda. Quando fui de férias de Verão, não tive quem mos regasse e elas ficaram expostas ao calor abrasador. Hoje, estão completamente secas, algumas sem folhas e escuras. A minha mãe teima em dizer que estão mortas. Mas eu continuo a regá-las como rego as poucas que continuaram verdes, porque são tão “plantas”, por assim dizer, como as outras e, além do mais, são essas mesmas plantas secas e murchas que precisam da maior parte da atenção e não as plantas verdes e com flores; precisam que as tratemos com mais cuidado e que invistamos mais nelas, porque estão secas e precisam ser tratadas. Qual não é o espanto da minha mãe quando, uma manhã, uma daquelas plantas que, durante um ano, foi regada completamente murcha, ostentava duas folhas pequenas mas muito verdes no meio das outras escuras!...
Ainda de encontro ao início do assunto, creio que são aqueles pormenores a que normalmente chamamos imperfeições que tornam bonita uma pessoa, porque a beleza, efectivamente, pode ser maçadora, demasiado monótona, demasiado equilibrada, demasiado limpa, demasiado… perfeita. E o que é em demasia, cansa.
Mas, quando é que uma pessoa é uma flor bonita?
A educação é o melhor caule que uma pessoa pode ter para alcançar outros valores.
A alegria é a melhor folha para um bom caule.
A bondade torna as folhas mais verdes.
A humildade dá recortes exuberantes às folhas.
A simplicidade dá as cores vivas.
A delicadeza é mesmo a característica principal de uma flor.
A gentileza é o melhor perfume que uma flor pode dar.
Porque as pessoas, tal como as flores, valem pelo que emanam e pelo que são e não pelo que aparentam ser ou idealizamos que sejam. Porque devemos avaliar as pessoas pelo que elas dão e não pelo que gostávamos que dessem ou tivessem dado.

