quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O menino que gostava de escrever


Era uma vez um menino que gostava muito de escrever. Nas suas histórias, todas as suas personagens tinham sempre finais muito bonitos e as palavras que usava para contar uma história tornavam-na encantadora, por mais simples que fosse.
Todos admiravam muito o menino que gostava de escrever.

Um dia, a professora encarregou os alunos de escrever uma redacção sobre um tema actual e realista. Imediatamente, todos os olhos pousaram sobre o menino, interrogando-se sobre o que iria sair daquela cabecinha tão pequena.
Ao chegar a casa, o menino começou a trabalhar na redacção.
- Uma composição sobre um tema actual e realista?
Depois de muito pensar, pegou numa folha de papel lisa e começou a escrever.

Era a história de um velhinho que morava numa cabana no meio da neve, num planeta que ainda ninguém havia descoberto e que tinha como única companhia os seus chinelos falantes.

No dia seguinte, as composições foram entregues à professora que, na tarde do mesmo dia, as entregou corrigidas.
Havia temas de todo o género: desde histórias com crianças paralíticas, ou que eram órfãs ou que viviam com pessoas que as tratavam muito mal. As notas foram bastante altas. Mas toda a turma se espantou quando devolveram ao menino a sua composição com um “Suficiente” escrito em letras vermelhas e grossas.
Os colegas, claro, não perceberam! Tinha sido a nota mais baixa! A professora, então, chamou-o à frente da sala:
- Gabriel, chega cá à frente…
O menino foi à frente do quadro, a medo. Os olhos dos colegas estavam, como sempre, postos em cima dele. A professora tornou:
- Lembras-te, com certeza, dos critérios pedidos para a elaboração da tua composição, não te lembras?
- Sim, senhora professora.
- Quais eram eles?
- A história deveria ser actual e bem realista.
- Ora acontece que a tua história não é actual, nem tão pouco realista.
Os colegas olharam para o menino com interesse.
- Gabriel, diz-me uma coisa, desde quando é que os chinelos falam?
A turma rompeu em gargalhadas. O menino respondeu:
- Falam na minha imaginação.
- Imaginação e realidade não são a mesma coisa…
- Isso é uma grande mentira! Antes de algo existir é preciso que seja imaginado!
A professora, que não gostou que a contrariassem, disse então:
- Não tenho muito a certeza de que um dia venham a existir chinelos falantes…
Os colegas riram de novo. O menino baixou a cabeça.
- E diz-me uma coisa: não me parece muito actual, muito menos real, um velhinho a viver numa cabana no meio da neve num planeta que ainda não foi descoberto. Isso parece-te verdade?
Mais gargalhadas abanaram a sala. O menino estava quase a chorar, mais ainda disse:
- Mas quantos velhinhos não vivem nas suas casas no meio da neve tendo como única companhia os seus chinelos?
O olhar da professora ficou subitamente carregado de cólera, como se o menino tivesse descoberto algo que lhe dizia respeito. E mandou-o sentar, com um recado para os pais por indisciplina. “Ousou responder a um superior” lia-se em letras bem visíveis, igualmente vermelhas.

Durante a noite o menino chorou. Mas seria mentira o facto de os chinelos não falarem?
Mas o certo é que, vendo-o tão abatido, os seus chinelos começaram a cochichar. O menino ainda levantou a cabeça mas, lembrando-se da aula e do sermão da professora, murmurou:
- Os chinelos não falam…
Deitou a cabeça na almofada e adormeceu.

Carta possível

Hoje de manhã procurei. Espreitei em todas as ruas sem resultado; vasculhei todos os edifícios e nada encontrei; entrei em todas as salas, mas o resultado foi o mesmo.
Acabou a manhã… Mas onde encontrar?
De tarde interroguei as pessoas. Mas ninguém me soube dar informações exactas…
Dantes, era fácil: bastava sentar-me nas escadas, olhar pelas janelas ou acomodar-me em baixo delas… e pensar que, nessa altura, já achava difícil…
Por fim acabou a tarde.
À noite, olhei para as estrelas. Afinal, nunca se sabe!... Mas as estrelas são tantas e estão tão longe! Com apenas dois olhos não consegui procurar em todas as estrelas.
Acordei, em suma, profundamente triste! Em passo lento, subi as escadas de madeira escura.
Entrei na sala às escuras e escancarei a janela, para poder olhar melhor as nuvens do céu e ouvir a chuva a cair no jardim. Sentida comigo mesma, plena de remorso, arrastei o banco para trás e sentei-me. Coloquei as mãos no teclado e os meus dedos deslizaram nas teclas brancas e pretas. Como ruído de fundo, o granizo misturado com a chuva que caía na rua.
Toquei repetidamente a mesma música, até que, finalmente, compreendi. E, na minha boca, senti um sorriso.
Afinal, não era preciso procurar-te tão longe; posso encontrar-te toda a vez que os meus dedos deslizarem nas teclas de um piano.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

E uma luz acesa rodeada de escuridão ainda mais nos fala de Ti

Senhor Jesus
tu disseste de Ti mesmo

que eras a Luz

que vinha a este Mundo

temos no meio de nós

uma luz

para nós

ela é a Tua imagem

ela é o Teu símbolo

e uma luz acesa

rodeada de escuridão

ainda mais nos fala de Ti

ensina-nos a sermos abertos

ensina-nos a Tua doutrina

que posta em prática

arde,

e ilumina tudo à sua volta


...


Para que possamos viver

na tua doutrina...


E uma luz acesa

rodeada de escuridão

ainda mais nos fala de Ti.


Quem sou eu? Tenho de descobrir quem sou eu...


Quando sentimos dificuldades, quando a dificuldade é tão grande que nos parece que já não vale a pena continuar, é necessário que a Esperança se acenda; mas, para a Esperança se acender, precisamos de "fósforos". Neste caso, os "fósforos" são ânimo, coragem, força e optimismo na Vida. Pois é, quando sentimos dificuldades, surge, como se diz, "uma luzinha no fim do túnel"...


Nós somos o suporte de Deus.

Porque Deus prolonga-se, aactua no Mundo através de nós.

Ele precisa de nós.

E nós precisamos do seu óleo para alimentar a nossa luz.


Gabriela Caldeira de Sousa

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Carta a los Reyes

En algún lugar del mundo, no importa cuando


Estoy escribindo una carta. Pero no es una carta qualquiera. Es una carta a vosotros, lor reyes magos, como costumbrava hacer cuando era niña… e ya se han pasado tantos años!...
A veces me pregunto: you soy mayor ahora? Yo he crecido? Pero, qué significa eso de se ser mayor? Que es crecer? Yo también no sé bien y creo que vosotros también no. Pero no estoy escribindo una carta para hacer preguntas. Estas cartas son hechas para pedir cosas… pero, por qué siempre pedir? Podrá haber algún día en que se haga una carta a los Reyes para regalar?
Yo no sé que es crecer o se yo he crecido. Pero sé que he crecido en una cosa: cuando era niña yo sabia siempre lo que quería en la Navidad, pero ahora… qué puedo pedir?
Tengo tudo!
Hay algo más que todo?
Pero tener todo es qué?
Sí, quiero regalos en la Navidad. Solo voy a pedir tres regalos, como vosotros habéis hecho com el niño Jesus… Sí, porque cada Navidad es un nuevo nacimiento…
Solamente tres regalos… pero son muy caros, yo pienso…
A uno de vosotros me gustaría pedir que enseñase mi cerebro… para que yo pueda corregir lo que hago de malo, para que you pueda comprender mejor los otros, no según mi punto de vista, pero según cada persona… para que you pueda utilizar lo que me enseñan para las cosas buenas… para que yo pueda saber siempre que haver en alturas difíciles…
Al outro me gustaría pedir que me enseñase nuevos gestos a mis manos: que yo sepa abrir mis manos, no cerrarlas… que mis manos tengan fuerza para levantar los que caen… quiero que mis manos hablen cosas bonitas, poque los gestos dicen más que las palabras… quiero que mis manos dejen cosas bonitas en todo lo que hagan, mismo en las cosas más sencillas… que mis manos no sintan dolor cuando yo tuvier de las poner en el fuego por alguién…
Finalmente, al tercero de vosotros, me gustaría pedir unas compresas para el corazón… para que you pueda unir cada pedazo del corazón… para que yo pueda rellenar el vacío que tengo en el lugar donde se encontraba mi corazón… más que motivos para llorar, quiero reír y hacer reír los otros… por favor, os pido, curen mi corazón!...
Pero, para qué yo pido regalos?
Cada vez que despierto por la mañana es un regalo para mí!...
Cada vez que yo veo la cara de uno de mis colegas reíndose por alguna tontería mia, es un regalo para mí!...
Cada vez que hago una cosa bien, es un regalo para mí… y para los otros!...
Cada amigo, aúnque no sean muchos, que yo tengo, es el mejor regalo que me podrían dar!...
Porque cada persona que la Vida pone en mi camino es un regalo… mismo que esa persona solo me haga cosas malas, yo aprendo siempre algo… Y cada lección es un regalo!... mismo se las condiciones no fueran las mejores…
Porque los verdaderos regalos no son los que se sienten en las manos, pero en el corazón
Gracias! Después de todo esto, yo he comprendido lo que es crecer.
Una persona crece cada vez que corrige lo que hace de malo, que levanta los que caen y que regala más que recibe… en esse caso, os pido también una outra cosa: que me ayudéis a crecer, pues que soy muy niña!...
Si pudiera, seguiria la estrella con vosotros… pero no es necesario! Yo sigo la estrella cada vez que soy buena y hago lo cierto…
Yo quería, como he dicho en el princípio, que esta fuese una carta, no para pedir, pero para regalar…

Pues que así es, cuando lo que recibo puedo regalar a los demás…
Así termino esta carta. Hasta el año en que os pediré, no más regalos, pero que me ayudéis a mejorar los de ahora.

Feliz Navidad!


De alguién del mundo

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Pequena história de Natal

O vento estava cortante lá fora. A neve caía, calma e silenciosamente, na rua que, se antes era em tons de cinzento, agora era tão ou mais branca que as nuvens. Os vidros das janelas tremem. E, sentada numa cadeira na sala de estar, a mãe acabava um lindo bordado que começara fazia pouco tempo.
Como o tempo tinha passado! E ainda se lembrava… Nunca tinha tido tempo para nada, ou, se calhar, nunca tinha dado valor ao tempo.
Concentrada, acaba de bordar um anjo no pano. Quer enchê-lo de anjinhos! Anjinhos como a sua Sofia…
E recordava as vezes em que a segunda filha mais nova, entrando a correr no quarto, lhe pedia ofegante: “Mãe, mãe, vem brincar comigo no parque!” “Agora não, querida, não posso. Mas prometo que amanhã vamos” E quantos amanhãs tinham passado! Naquele momento, se pudesse, iria mesmo brincar com ela no parque…
Como se sente cansada, pousa o pano bordado, guarda as linhas e sobre as escadas. Espreita para cada quarto dos outros filhos. Como se os visse a dormir, abeira-se perto de cada um deles de mansinho e dá-lhes um leve beijo na testa. Puxa-lhes os cobertores, para que estes não tenham frio. E, devagar, fecha-lhes as portas dos quartos. No fim, entra no quarto da Sofia.
Havia deixado tudo como sempre havia estado. Ainda lhe sugeriram que, se não tudo, se desfizesse de algumas coisas, mas resistiu energicamente.
Tocou cada brinquedo e olhou demoradamente cada fotografia. Ao passar, sem querer, foi contra a boneca preferida da filha. Apanhou-a e olhou demoradamente para ela. Era a boneca que lhe havia dado no seu último aniversário e que ela, nos seus últimos tempos de vida, carregava devotamente de um lado para o outro da casa, sem ligar ao esforço, porque, efectivamente, era uma boneca bem grande.
Naquele dia chegara a casa extraordinariamente tarde. Todos já dormiam. Então, com a boneca embrulhada numa caixa, entrara devagarinho no seu quarto. “Parabéns! Trouxe-te esta boneca” A filha, um pouco ensonada, perguntou: “Que horas são?” “Desculpa não ter estado aqui. Mas tive de trabalhar até mais tarde. Quanto mais trabalho arrumava, mais trabalho me surgia…” “Não faz mal” disse Sofia “ eu percebo que, se tivesses mesmo podido, tinhas estado comigo…” “Tomaste o medicamento para as dores de cabeça?” “Sim, mãe, tomei.” “Linda!” E, com um beijo, deitou-a de novo e saiu do quarto. É claro que ninguém imaginava que aquilo fosse mais que umas simples dores de cabeça…
E como sentia saudades dos inúmeros corações de cartão que diziam muitas vezes “Adoro-te, mamã!”…
Pousou a boneca em cima da cama e saiu do quarto. Deitou-se na sua cama e adormeceu…

Chegou o dia 23 de Dezembro. E a primeira coisa que fez foi ir ao cemitério. Pelo caminho, a sua filha mais nova, Rita, havia-a interpelado: “Mãe, posso ir contigo?” “Não, hoje não” Mais um hoje em que não ia. E só não dizia para deixar para amanhã porque tinha medo que este não existisse.
Uma vez no cemitério ficou longamente a olhar para a lápide dura e fria que assinalava o local onde se encontrava uma menina pequena, alegre, com lindos olhos azuis e grandes cabelos loiros. Parecia muito triste para tal menina.
E começou a chorar. Agora, sim, tinha tempo. Mas isso não lhe servia de nada, agora…

À noite, contra o que era costume, não foi aos quartos dos outros filhos nem se deitou na sua cama. Antes estendeu-se de bruços na cama de Sofia e voltou a chorar. Que interesse tinha o Natal, se era a primeira vez que o ia passar sem ela?
Sofia entrou, como de costume, a correr no quarto. E pediu, cansada: “Mãe, mãe, vens brincar hoje comigo no parque?”
A mãe levantou-se de um salto. Não podia, aquilo era impossível! Então, Sofia sentou-se no colo dela e abraçou-a dizendo “Não chores, senão também fico triste!” E continuou: “Vens ao parque comigo?” Então a mãe levantou-se. Não, aquilo não era um sonho. E, também, que é que essas coisas importavam agora? Tinha a filha morta à sua frente, com os seus lindo olhos azuis e cabelos loiros a dizer-lhe para não chorar e ir brincar com ela no parque. Para quê pensar muito numa altura como aquelas? Para quê pensar no que é ou não impossível, no que é ou deixa de ser? Limpou as lágrimas à manga da camisola, vestiu um casaco, pegou na filha ao colo para que esta não apanhasse frio aos pés e foi para o parque.
Uma vez lá, Sofia pediu: “Mãe, empurra-me no baloiço!” A mãe ficou a pensar: nunca tinha andado nem empurrado um baloiço. “É fácil! Quando me vires a voltar para trás, a vir de novo contra ti, só tens de dar um empurrão para a frente”. A mãe sorriu. Mas se havia coisa que mais queria era que a filha viesse mesmo contra si; e se pudesse, nunca a deixaria ir para longe…
Quando deixaram de andar de baloiço foram ambas passear de mão dada, pelas ruas, a espreitar as montras escuras cheias de coisas de Natal das lojas fechadas. E, nos vidros embaciados e gelados pela neve, Sofia fazia inúmeros desenhos… Entre eles encontrava-se os típicos corações…
Sempre andando, sem olhar a direcções, foram dar ao jardim da cidade, todo coberto de neve, como as outras ruas. Lá, as árvores erguiam para o céu os recortes delgados dos seus troncos e ramos. O lago estava tão gelado e límpido, que reflectia a luz da Lua. E nisto mãe e filha caminharam de mãos dadas pelo jardim, deixando dois pares de pegadas distintos na relva. E, ao de leve, começam a cair flocos de neve…
De súbito, a menina pára. E diz: “Tenho de ir. Estão a chamar-me.” “Quem te está a chamar?” “Os anjinhos… e a avó…” Nisto, a mãe voltou a chorar. Ajoelhou-se aos pés de Sofia e disse “Por favor, não vás! Não quero que te vás embora outra vez!” “Tenho de ir… será que não percebes? Já não pertenço mais aqui. Cada vez que choraste desde que me fui embora também me fizeste chorar a mim… por favor, deixa-me ir…” A mãe, contendo-se, limpou as lágrimas. A filha continuou “Eu estive sempre contigo. E não foi nas coisas que manténs guardadas no meu quarto, mas no teu coração… desfaz-te delas, não as quero lá… e dá a minha boneca à Rita, que sempre gostou muito dela… não quero que penses em mim como uma memória, antes que estou viva e que sou feliz onde quer que esteja… por que é que choras pela minha felicidade? E deixa de ir, pelo menos tão frequentemente, ao cemitério: achavas mesmo que eu me ia deixar por lá? Não é por aí que me vais encontrar…”
Fez-se um momento de silêncio que mais pareceu uma eternidade. E Sofia disse: “Por favor… deixa-me partir… deixa-me ser feliz…” E tornou, abraçando a mãe: “Gosto muito de ti!”

Acordou. Encontrava-se a dormir no sofá da sala. “Deve ter sido apenas um sonho…” pensou, triste. Nisto, meteu a mão no bolso. E, para sua surpresa, tirou de lá um pequeno coração de cartão com a mensagem “Adoro-te” escrita muitas vezes…

Na manhã seguinte, a mãe levou a pequena Rita consigo ao cemitério. Esta levava nos braços a boneca. “A Sofia ia querer que ficasses com ela…” havia-lhe dito a mãe. Depois da ida ao cemitério, ambas foram passear na rua. A mãe ainda olhou para as montras das lojas agora abertas e iluminadas, a ver se restara algum pequeno desenho… mas tal não acontecia.
Ambas se sentaram num dos bancos do jardim da cidade. Então a pequena Rita perguntou: “A Sofia vai voltar?” “Não, querida, nunca mais…” Rita ajeitou a boneca no seu colo. “Gostava de saber onde ela está… Tu sabes?” “Bem… creio que sim…” “Quando é que a vou voltar a ver?” “Algum dia…” “Onde?”
Nesse momento, a mãe havia acabado o último ponto do seu bordado. Estendeu-o sobre o seu colo e, apontado para as figuras presentes no seu bordado, disse: “Está lá em cima… com estes anjinhos…”…

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Carta a alguién

Sin lugar del mundo, sin tiempo


Yo vos estoy escribindo porque necesito un hogar. Yo fue expulsa de mi hogar hace poco tiempo. Pero no sé por qué.
Yo no necesito tener mucha cosa en mi hogar, ni este necesita ser grande. Solo quiero pertencer a algún lugar. Solo quiero un hogar y ser feliz.
Yo he vivido en mi hogar los momentos más felices de mi vida con mi familia. Siempre he vivido en sosego. Yo nunca he preturbado a nadie, mismo que, a veces, ellos me preturbasen. Nunca nadie ha tido razón para se aburrir conmigo.
Sin saber la razón y sin tomar cuenta, yo he sido expulsa.
Me han expulsado de mi hogar, que era tan mio como de ellos! A veces pienso que solo la mia existencia fue la razón para mi expulsión… Pero por qué? Yo pregunto de nuevo: yo he hecho alguna cosa?
He molestado a alguién? Se ha sido eso, por favor, me digan, para que yo nunca más haga lo mismo. O, por lo contrario, há sido por algo que yo no he hecho? Pienso que yo he hecho algo muy malo para ser expulsa de mi hogar con sonrisas cinicas, ojares sarcasticos y, en el caso de estos no existiren, la indiferenza. Yo he notado eso, pero hacía poco tiempo… cuál la razón de ese comportamiento? Ha sido en el día 15 del diciembre que, después de algunas ya comunes frases ríspidas que la sonrisa más falsa que yo he visto en toda mi vida ha cerrado la puerta de mi hogar. En esse momento yo no he podido, como costumbrava hacer, pensar que no era nada, que todo quedaba bien.
Y ahora? Estoy sola! No soy de algún lugar y no tengo a nadie!... No existo!...
Por favor, os imploro, me deen un hogar. Os pido, no me hagáis llorar más!

Si no tenéis hogar para mi, os pido, a lo menos, que abris una pequeña puerta en el vuestro corazón. Yo prometo no hacer nada de malo, yo me quedo en el mismo lugar, en un canto de la pared, pero abrime una puerta. Os pido, por favor!

Por favor, os imploro! Si no tenéis hogar para mí, a lo menos me dejen quedar en una pequeña parte del vuestro corazón.
Nos os pido más nada! Por favor, tende piedad de mí!...

No os olvidéis de mí!...


De: nadie

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Avó Dolores

Houve tempos em que eu falava com a avó Dolores. E a avó contava histórias tão lindas!...


A avó Dolores nascera numa aldeia; nunca me disse o seu nome, apenas se referia a ela como a Aldeia dos Girassóis. E falava do tempo em que participava nas procissões, das festas, dos conhecidos... As histórias eram sempre as mesmas mas, cada dia, pareciam diferentes, sempre novas, talvez devido à forma e entoação com que as contava.

A avó Dolores costumava dizer que o seu nome, Dolores, significa "Dor" e que a sua mãe lho havia posto por ter sofrido muito. Quando eu perguntava qual a razão do sofrimento da bisavõ, a avó limitava-se a olhar pela janela, com olhar ausente. De quando em quando pousava, no parapeito da janela, um rouxinol. A minha avó sorria para o rouxinol e eu perguntava de mim para mim o que é que o rouxinol tinha a ver com a avó Dolores.

Não demorei muito a perceber a resposta que a avó Dolores se recusava em dar. Soube-a pela minha mãe. Pelos vistos, a mãe da avó Dolores tinha morrido de parto. Perdera muito sangue e, vendo-a desfalecer, alguém perguntara o que é que ela sentia. E ela respondeu "Dor". A minha bisavó não dera nenhuma indicação ou proposta de nome para a criança e, vendo que esta morria e também devido à exclamação da mãe, os presentes optaram por dar à bebé o nome de "Dor". E assim a minha avó passou a chamar-se Dolores. E a minha avó nasceu em Março, quando chegam os rouxinóis.

A avó Dolores tinha sempre muitas saudades da sua terra. Senão, por que razão contava as suas memórias? É tão triste esquecermos aquilo que mais gostamos!...



Os tempos foram passando...



Aproximava-se o Natal. Em casa, todos estávamos felizes. Mas a avó Dolores estava triste... Tinha saudades da sua terra... Saíra de lá em menina e... nunca mais lá voltara... E como desejava voltar, pelo menos, uma última vez!...

A avó Dolores já tinha alguma idade. Estava cada vez mais velha. Mas a velhice parecia nunca haver passado por ela, sempre tão alegre mas, ao mesmo tempo, tão triste!...

A minha mãe sempre soubera que a avó Dolores queria voltar para a Aldeia dos Girassóis... Mas nunca a levara, pois não tinha conhecimento de alguma aldeia dos girassóis, ou seja, com esse nome... Mas a avó dizia - "Ainda hei-de lá ir passar o Natal!...".

Pobre avó Dolores! Como eu gostava de ter podido levá-la à Aldeia dos Girassóis!...



Era chegado o dia 23 de Dezembro. Tanto eu como a minha mãe estávamos atarefadas com a ceia de Natal... Mas como iria eu dizer à Avó Dolores que ainda não ia ser daquela vez que ia passar o Natal à Aldeia dos Girassóis?

Não tive coragem. Nem passei pela porta...



E chega a noite. Eu ia para me deitar quando me lembrei que a avó dolores não tinha saído do quarto toda a tarde.

Entrei no quarto e chamei - "Avó Dolores!".

A avó parecia continuar a olhar a neve. Aproximei-me e coloquei-lhe a mão no ombro.

- Avó Dolores...

Não demorei muito a perceber ue a avó Dolores nunca mais me ia contar histórias...



No dia seguinte, 24 de Dezembro, o corpo da avó Dolores foi levado para a Aldeia dos Girassóis. Eu estava triste, pois nunca mais ia ouvir as suas histórias...

Mas, deixá-lo! O maior sonho da avó Dolores era voltar para a sua terra.

"Ainda hei-de lá ir passar o Natal!...". E foi.

Alguns dias mais tarde foi a minha vez de visitar a Aldeia dos Girassóis. A avó tinha razão! A aldeia justifica mesmo o seu nome!

Às vezes penso como poderia ter deixado a avó se lhe tivesse dito, no dia 23 de Dezembro, que não ia voltar à sua terra. Mas ainda bem que voltou!

Fui ver a nova morada da avó Dolores: tinha vista para campos cheios de flores!...



Por quantas flores eu passei no regresso a casa!...



Já se passou muito tempo...



Agora encontro-me eu, vencida pela idade, no dia 23 de Dezembro, na velha cadeira de baloiço da avó Dolores.

Estava a acabar o bordado que a havó havia deixado incompleto. Ficou tão bonito!... Já viste, avó? Um trabalho feito pelas duas, não estás orgulhosa?

Já é tarde. Passa das dez da noite: que dirias, se aqui estivesses? Estou tão cansada! Hoje vou dormir na cadeirinha de baloiço...



...Boa noite, avó Dolores!... Deixo-te na Aldeia dos Girassóis...




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